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A percepção dos brasileiros sobre a alta de preços da economia subiu em maio e está acima da projeção anual do mercado de 4,11% para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2019.

Para os próximos 12 meses, os consumidores esperam avanço de 5,4% nos preços, contra 5,3% esperados em abril e 5% em janeiro, mostra o Indicador de Expectativa de Inflação dos Consumidores do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (IBRE FGV).

A economista Viviane Seda, coordenadora do indicador da FGV, afirma que, parte dessa alta, explica-se pelo aumento das incertezas econômicas e políticas e, de outro lado, fatores conjunturais, como elevação dos preços dos alimentos e das tarifas de energia elétrica.

O avanço da inflação desses dois itens fez, inclusive, os brasileiros de renda mais baixa sentirem uma elevação de preços mais forte do que as camadas sociais de maior rendimento. Para os próximos 12 meses, os brasileiros que ganham até R$ 2.100 por mês esperam uma inflação de 6,1%. Já os que recebem acima deste valor até a faixa de R$ 4.800, tem uma percepção de que os preços subam 5,9% daqui a 12 meses.

Por sua vez, a faixa de renda que vai de R$ 4.800,01 até R$ 9.600, projeta alta de 5,0%. Acima de R$ 9.600,01, a percepção é menor, de 4,7%.

O professor de economia da FAAP, Orlando Assunção Fernandes, ressalta que, além da queda dos rendimentos provocada pela recessão, a população mais pobre sente mais as variações de preços em decorrência da menor variedade da sua cesta de consumo.

Diante de um orçamento já muito reduzido, a maior parte dos recursos dessas famílias é direcionada para produtos de necessidade básica, como alimentos, bebidas, transporte e energia. As variações de preços desses produtos são, portanto, rapidamente sentidas no orçamento familiar, esclarece Fernandes, da FAAP.

Por outro lado, os consumidores de renda mais alta têm possibilidades de diversificar os seus gastos contratando, por exemplo, mais serviços como cursos, academias, salão de beleza, itens nos quais, segundo Fernandes, há mais dificuldade de repasse de preços.

“Por conta dessa maior diversificação na cesta de consumo, as famílias com rendimento mais alto podem ter o seu orçamento corroído por uma elevação de preços em um grupo de produtos, porém conseguir compensar com outros itens onde houve queda de preços”, ressalta Fernandes.

Renda comprometida

O professor de macroeconomia dos cursos de MBA da Faculdade Fipecafi, Silvio Paixão, reforça que o rendimento dos brasileiros, neste momento de economia fraca, não consegue acompanhar elevações de preços causadas por choque de oferta, como o aumento da inflação dos combustíveis e das tarifas de energia, em decorrência da alta do barril de petróleo, no mercado externo.

Silvio Paixão comenta também que as pesquisas de percepção dos consumidores dificilmente serão iguais às projeções oficiais, que costumam captar uma média de preços em todo o Brasil.

“Cada família tem um perfil de consumo diferente. Se, em uma família, os planos de saúde têm um peso expressivo no orçamento, muito provavelmente ela está sentindo uma inflação mais alta neste momento”, afirma o professor da Faculdade Fipecafi.