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Uma parcela de 37% de um total de mil entrevistados por todo o País avalia que o emprego só voltará em 2020, enquanto 19% entendem que as condições do mercado de trabalho não vão melhorar nos próximos três ou quatro anos.

Em menor escala, 14% responderam esperar que o emprego volte a melhorar já em 2019, ao passo que 10% acreditam que isso deve ocorrer somente em 2021. O levantamento foi realizado pela Kantar junto à Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi).

Os entrevistados foram ouvidos no período entre os dias 27 de maio e 7 de junho deste ano. A maioria dos ouvidos é do sexo feminino (60%) e 40% do sexo masculino, com faixa etária que vai dos 18 a 65 anos.

Outros dados mostram que 45% deles acreditam que a taxa de desemprego vai aumentar nos próximos meses. Entre os jovens de 18 a 28 anos esta percepção é maior, de 60%. Os dados foram apresentados pela diretora de atendimento ao cliente da Kantar, Viviane Varandas, ontem, em coletiva de imprensa. O estudo verificou ainda que, em outubro de 2018, 60% dos entrevistados estavam otimistas com o futuro, contra 44% em junho deste ano. Por outro lado, em abril de 2018, essa parcela era de 29%.

“Após seis meses de governo, os brasileiros passaram a ter uma avaliação mais realista da gestão. Naquele momento, havia altíssimas expectativas com relação à reforma política, à redução do desemprego e crescimento econômico”, comenta a especialista da Kantar.

Porém, com relação à situação atual do Brasil, 13% acreditam que está ótima. Apesar de ser considerada baixa, essa porcentagem nunca passou de 4% desde o ano de 2016.

Aproveitar oportunidade

O presidente da Acrefi, Hilgo Gonçalves, destaca que a aprovação da reforma da Previdência Social tende a gerar perspectivas mais positivas para a economia e, consequentemente, para o emprego. “A bolsa (brasileira) já está crescente e isso significa que recursos irão entrar nas empresas. Significa retomada da confiança”, diz.

Segundo Gonçalves, os empresários precisam aproveitar este momento de debate de outras reformas estruturais – como a tributária, o programa de concessões em infraestrutura e até mesmo a sinalização de abertura comercial – para repensarem o seu modelo de negócios e a qualidade dos seus produtos e serviços.

“Os empresários precisam assumir o protagonismo das suas histórias”, declara Gonçalves. “Após a reforma da Previdência, o governo irá mobilizar a agenda de melhora do ambiente de negócios, como a reforma tributária. E como empresário, eu tenho que aproveitar esse momento e repensar o meu negócio”, diz ele.

Já o economista-chefe da Acrefi, Nicola Tingas, informa, por sua vez, que a projeção da instituição para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) este ano é de alta de 0,8%. Ele também espera que a taxa básica de juros (Selic) caia de 6,50% a 6% ao final de 2019. Tingas comenta que a valorização da moeda nacional e dos ativos listados na bolsa podem se traduzir, daqui a alguns meses, em aumento do consumo.

“Isso vai depender de como se comportarem as expectativas (com a aprovação da Previdência Social). Se estas ganharem força, teremos um pouco mais de alento para o terceiro e quarto trimestres”, diz. “O fato é que o crédito pessoa física está indo muito bem e esse deve ser uma das alavancas (para a expansão das compras).”

A pesquisa revelou também que as percepções em relação à oferta de crédito e ao consumo das famílias estão elevadas. No comparativo com o levantamento do primeiro semestre de 2018, a porcentagem quanto à oferta de crédito cresceu de 24% para 36%; e o consumo das famílias passou de 27% para 38%.