Publicado em

O dólar voltou a subir ontem. Na contramão de outros ativos domésticos, que tiveram melhora, a moeda americana fechou em alta de 0,49%, cotada a R$ 3,9743, voltando ao maior nível desde 30 de maio.

Novamente foram eventos no exterior que ditaram o comportamento do câmbio. A quarta-feira foi marcada por renovadas preocupações de recessão na economia mundial, após indicadores fracos da indústria na Alemanha e três bancos centrais asiáticos cortarem juros, alguns deles de forma inesperada. Somente este mês, o dólar já acumula alta de 4%.

O dólar à vista chegou a bater em R$ 3,9927 na máxima de ontem. No mercado futuro, a moeda foi a R$ 4,00 e profissionais do mercado não veem muito espaço de melhora pela frente, na medida em que a disputa comercial entre a China e os Estados Unidos não deve se resolver no curto prazo. "Os mercados estão precificados para o pior", ressalta em relatório nesta quarta-feira o grupo financeiro holandês ING, que vê a relação entre as duas maiores economias do mundo piorando antes de melhorar.

"Temos que trabalhar agora com o cenário de guerra cambial", afirma o gestor da Rosenberg Asset, Eric Hatisuka, prevendo nova rodada de cortes de juros mundo afora, inclusive como um instrumento para permitir a desvalorização das moedas locais e fazer face à queda da divisa chinesa. Só nesta quarta, três bancos centrais reduziram juros, Nova Zelândia, Tailândia e Índia. Nesse ambiente, as moedas dos países emergentes devem seguir enfraquecidas.

Para Hatisuka, a tensão comercial entre China e EUA pode perdurar até ao menos as eleições presidenciais americanas do ano que vem, em novembro. Se Trump for reeleito, pode durar ainda mais. Nesse ambiente, o mercado vai ter que lidar com a crescente incerteza e o risco de a qualquer momento um tuíte de Trump mudar o cenário.

Entre grandes bancos internacionais, o Credit Suisse recomenda a venda de moedas emergentes e o Brown Brothers Harriman (BBH) vê as divisas da região permanecendo "sob severa pressão". Nesta quarta, o dólar subiu ante a maioria desses mercados, principalmente México, África do Sul e Argentina. Em meio a maior aversão ao risco no mercado internacional, o Credit Default Swap (CDS) de cinco anos do Brasil voltou a ser negociado próximo ao nível de 140 pontos-base, retornando aos maiores patamares em mais de um mês, de acordo com cotações da IHS Markit.

Virada para o azul

A volatilidade continuou a dar o tom dos negócios no mercado internacional, que manteve-se como principal referência para os negócios com ações na B3 ontem. Em meio às percepções sobre guerra comercial e o ritmo da economia global, o Ibovespa chegou a cair 1,65% pela manhã de ontem, mas ganhou fôlego gradativamente à tarde da mesma sessão e fechou em alta de 0,61%, aos 102.782,37 pontos.

A alta foi puxada essencialmente pelas ações do setor financeiro. A melhora da recomendação de compra ações e ADRs de bancos brasileiros foi apontada por analistas e operadores como combustível para as ordens de compra. Ao final, Itaú PN subiu 3,69% e as units do Santander ganharam 2,86%. Na ponta contrária, o petróleo, que chegou a cair mais de 5% no exterior. Com isso, Petrobras ON e PN perderam 0,95% e 1,08%, nesta ordem. /Estadão Conteúdo