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Em um pregão morno e de liquidez reduzida, o Ibovespa rodou ontem na casa dos 97 mil pontos e fechou em território positivo na esteira da reação pontual e limitada das bolsas norte-americanas. O índice encerrou em alta de 0,37%, aos 97.602,50 pontos.

Segundo analistas, investidores aproveitaram o ambiente externo morno para apagar parte das perdas de 0,66% do Ibovespa na última segunda-feira, enquanto aguardam a instalação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na Câmara após o carnaval para obter sinais mais concretos sobre o ritmo de tramitação da proposta de reforma da Previdência.

A mínima foi de 97.235,48 pontos e a máxima de 97.903,97 pontos. O giro foi baixo (R$ 11,3 bilhões). O destaque positivo foi o setor financeiro, especialmente para as ações PN do Bradesco, com alta de 1,79%. Ainda entre as blue chips, as ações da Petrobras encerraram o pregão com direções distintas (as PN recuaram 0,45%, enquanto as ON avançaram 0,03%).

Segundo Rafael Passos, analista da Guide Investimentos, o Ibovespa deve seguir oscilando na faixa entre 96 mil e 98 mil pontos até que surjam sinais mais claros de como será o andamento da reforma no Congresso. “A Previdência segue como o principal 'trigger' para o Ibovespa. Há dúvida se Bolsonaro vai conseguir apoio político e o qual será a desidratação da proposta na Câmara”, afirma, acrescentando que o mercado já trabalha em ritmo mais lento antes do carnaval.

Segundo um experiente operador, já é dado como certo no mercado que a reforma da Previdência não sairá da Câmara do jeito que chegou. “Mas o mercado ainda vai esperar o início da tramitação para ajustar as posições”, complementou o especialista.

Mercado cambial

O dólar fechou novamente perto da estabilidade na sessão de ontem repetindo o movimento da última segunda-feira. O dólar à vista terminou o dia em leve alta de 0,04%, a R$ 3,7451. Nas mesas de câmbio, prossegue a cautela sobre a tramitação da reforma da Previdência, mas o enfraquecimento da moeda estadunidense no exterior fez o dólar zerar a alta que vinha mostrando desde a parte da manhã.

Operadores relatam que os investidores aguardam o leilão de linha (venda de dólares à vista com compromisso de recompra) que o Banco Central fará hoje, de US$ 3 bilhões.

As mesas de câmbio começaram o dia antecipando compras da moeda norte-americana, por causa do feriado de carnaval, que mantém o mercado de moedas fechado aqui, mas não nos EUA. Com isso, a cotação do dólar futuro acabou sendo negociada abaixo da moeda no mercado à vista em boa parte do dia.

Por conta dessa antecipação, o volume de negócios no mercado à vista foi acima da média dos últimos dias, ficando em US$ 1,6 bilhão. No mercado futuro, a liquidez também aumentou, somando US$ 19 bilhões. O dólar para março caiu 0,21%, a R$ 3,7440.

Os juros futuros terminaram a sessão regular de ontem perto dos ajustes anteriores, preservando um viés de alta nos contratos de longo prazo. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou com taxa de 6,480%, de 6,460% no ajuste anterior e o DI para janeiro de 2021 subiu de 7,081% para 7,13%. A taxa do DI para janeiro de 2023 encerrou em 8,23%, de 8,212% e a do DI para janeiro de 2025 avançou de 8,732% para 8,76%. /Estadão Conteúdo