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O Ministério da Economia revisou na sexta-feira, dia 12, a projeção oficial para o crescimento da economia neste ano, de 1,6% para 0,81%. O dado consta no Boletim Macro Fiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia.

Com isso, a estimativa para o PIB ficou em linha com o número calculado pelo mercado, que vem sendo reduzido semana a semana. No último boletim Focus, feito pelo Banco Central e diversos economistas, a expectativa era de alta de 0,82% neste ano.

No curto prazo, a SPE prevê uma elevação de 0,3% no 2º trimestre sobre o trimestre anterior, com ajuste sazonal, num reflexo da frustração das estimativas em relação aos dados mensais divulgados. “A confiança de empresários e consumidores tem se reduzido em relação ao início do ano, dada a demora na retomada. A produção industrial apresentou ritmo próximo de zero em abril e maio, com recuo da indústria extrativa e menor ritmo dos ramos de transformação”, informou.

“Os serviços mostram recuperação lenta devido a dificuldades de empresas e de famílias. Quanto à agropecuária, nota-se alguma recuperação da safra de grãos”, acrescentou a pasta, após destacar que a expectativa com a reforma previdenciária postergou investimentos planejados, de forma a reduzir o crescimento da atividade no primeiro semestre.

Para 2020, o governo também diminuiu sua expectativa para o PIB a um crescimento de 2,2%, sobre patamar de 2,6% divulgado no último relatório de receitas e despesas, de maio. Já para 2021 e 2022 a expansão manteve-se em 2,5%.

“A redução do crescimento da atividade em 2020 se deve substancialmente ao efeito base, ou seja, o menor patamar do PIB neste ano afetará o desempenho do PIB em 2020, mesmo crescendo a taxa de 2,5% anualizada em média no próximo ano”, disse a SPE.

Em nota, a secretaria ressaltou que seus cálculos não incorporam “por completo” os efeitos da aprovação da reforma da Previdência e de novas medidas que beneficiarão a economia. O governo também reviu a projeção para a inflação medida pelo IPCA a 3,8% em 2019, sobre 4,1% na estimativa com data-base em 10 de maio, e uma expectativa de 3,8% do mercado, segundo o Focus.

Os números embasarão o próximo relatório de receitas e despesas, que será publicado até dia 22. O secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, já adiantou que, com um PIB mais modesto, as receitas estimadas para o ano devem cair, pressionando o governo a adotar novo contingenciamento nos gastos para cumprir a meta de déficit primário de R$ 139 bilhões.