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Novos temores de acirramento da guerra comercial entre Estados Unidos e China por pouco não neutralizaram os ganhos da bolsa brasileira. Ao final do pregão de ontem, o Ibovespa marcou 102.125,94 pontos, em alta de 0,31%.

Embalado pelo cenário de afrouxamento monetário no Brasil e no mundo, o índice chegou a subir mais de 2%, antes que o presidente americano, Donald Trump, acenasse com nova sobretaxação de produtos chineses.

As declarações de Trump inverteram o sinal positivo das bolsas americanas e aprofundaram a queda dos preços do petróleo, com reflexo direto sobre as ações da Petrobras. "As ações abriram bem, com o mercado feliz com a política monetária do Banco Central. Mas as declarações do presidente dos Estados Unidos pesaram sobre todo o mundo, principalmente sobre o petróleo, que registrou quedas muito expressivas", disse Ariovaldo Ferreira, gerente da mesa de renda variável da H Commcor.

Responsáveis juntas por 11,3% da composição do Ibovespa, Petrobras ON e PN terminaram o dia com quedas de 1,53% e 1,84%, depois de terem oscilado em alta pela manhã, na contramão do petróleo. Já Vale ON, que tem peso de 9,2% da carteira do índice, foi além e perdeu 2,83%. A ação da mineradora já vinha oscilando em queda desde cedo, em repercussão ao prejuízo de US$ 133 milhões registrado no segundo trimestre, impactado por novas provisões relacionadas ao desastre com a barragem de Brumadinho, em Minas.

O corte de 0,50 ponto porcentual na taxa Selic veio em linha com as apostas do mercado e animou pela perspectiva de novas reduções de juros. Assim, ações de empresas mais rapidamente beneficiadas pela medida foram destaque de alta. O índice de ações de consumo (ICON) terminou o dia com alta de 2,24%, pela aposta de melhora do poder de compra do consumidor. O índice de energia elétrica (IEE) avançou 1,49%, com a visão de melhora na demanda à indústria.

Na máxima do pregão, o Ibovespa chegou a bater os 104.055,69 pontos (+2,20%), pouco antes das declarações de Trump. Na mínima, marcou 101.818,93 pontos (+0,01%). "Era uma sessão de recuperação para o mercado de maneira geral, mas houve piora em praticamente todas as ações após as declarações de Trump, o que mostra que o cenário ainda é de volatilidade", diz Luiz Roberto Monteiro, operador da Renascença Corretora. Para ele, a sensibilidade ao cenário externo se mostra maior enquanto o mercado ainda aguarda a retomada dos trabalhos no Congresso, na expectativa de avanço da reforma da Previdência e tributária, além de outras medidas.

Mercado cambial

O dólar teve novo dia de volatilidade ontem, mas firmou-se em alta após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar pelo Twitter uma nova rodada de tarifas em US$ 300 bilhões de produtos chineses importados pelos americanos. Logo após a postagem, a moeda dos EUA bateu nas máximas do dia, superando R$ 3,85, dia em que o noticiário local ficou esvaziado. Em sessão de forte volume de negócios, o dólar à vista fechou cotado em alta de 0,71%, a R$ 3,8472, maior nível de fechamento desde 2 de julho. A divisa americana fechou em alta em vários emergentes, incluindo África do Sul (+2%), Colômbia (+1,9%) e Rússia (+1,1%). /Estadão Conteúdo