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As relações comerciais entre o Brasil e a Turquia devem continuar fortes nos próximos meses. A depender do agravamento da crise econômica do país ou da maior intervenção dos Estados Unidos, porém, empresários podem começar a migrar para outros países.

As últimas informações do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) apontam que as exportações brasileiras para os turcos avançaram 33,4% em junho deste ano em comparação a igual mês do ano passado, de US$ 192,9 milhões para US$ 257,5 milhões.

As importações, por sua vez, subiram 67,6% na mesma relação, de US$ 30,7 milhões para US$ 51,5 milhões.

De acordo com o coordenador do curso de economia da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Paulo Dutra, apesar de os montantes transacionados não serem tão significativos na lista de relações internacionais do Brasil, alguns setores da indústria podem ser impactados pelo atual cenário turco.

“A Turquia é um mercado bom por conta de todas as vantagens de custo de produção e qualidade de mão de obra que o governo turco impulsiona”, afirma.

Ele reforça que a depender do quanto essa divergência diplomática entre Turquia e Estados Unidos se transforme em um conflito comercial, as relações do Brasil com o país do Oriente Médio poderão “sentir o baque”.

Da outra ponta, porém, o consultor da Mercator Business Intelligentsia – empresa especializada em negócios com o Oriente Médio, Norte da África e Ásia Central – Jorge Mortean explica que “enquanto não interfira os interesses norte-americanos em solos estrangeiros, não há problema”.

“O Itamaraty [Ministério das Relações Exteriores] tem se mostrado bastante independente e, mesmo assim, nossa produção nacional exportada para a Turquia não necessita do pagamento de royalties, da mesma forma que os importados contemplam majoritariamente manufaturados locais e hortifrutis. Isso em nada intervém na atuação dos EUA”, diz.

Ao mesmo tempo, no entanto, o consultor da Mercator Business reconhece que “o sistema internacional predomina” e que, no geral, “não iremos na contramão do mundo”.

Para Dutra, “o processo é longo” e os efeitos dos conflitos envolvendo a Turquia serão na margem, onde o Brasil “não chega a perder nenhuma parte substancial do comércio”.

“Além disso, caso tudo dificulte, ainda temos um potencial muito grande com a Argentina, com outros países do Oriente Médio e também com os países asiáticos”, completa.

Impactos do dólar

Os especialistas entrevistados pelo DCI reforçam ainda que é preciso considerar os impactos que a administração política de Donald Trump, presidente dos EUA, pode ter no dólar.

“A tendência é que, caso isso continue, os juros e a inflação subam e isso traga grandes problemas para a economia norte-americana e, consequentemente a do restante do mundo, ao final de 2019 e início de 2020”, avalia Dutra.

“O controle, porém, deve vir”, analisa Mortean, reiterando que “dólar muito alto também prejudica” e que “as ações de Trump para que a Turquia não se alinhe à China também têm limite”, conclui.