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Desde que a taxa básica de juros (Selic) atingiu os 6,5% em março de 2018, as taxas de rendimentos dos títulos públicos caíram entre 0,5 ponto percentual (p.p.) e 0,88 p.p. até agora. A expectativa é de que os prêmios continuem baixos ao longo de 2019.

De acordo com as informações do Tesouro Nacional, o maior rendimento títulos do Tesouro Direto, com taxas prefixadas, foram as que mostraram as maiores quedas nos rendimentos desde março do ano passado. Os títulos com vencimento em 2025, por exemplo, registraram queda de 0,88 ponto percentual no período (p.p.), de 9,64% ao ano (a.a.) para 8,76% a.a. na taxa de ontem.

O mesmo aconteceu com os papéis do governo indexados à inflação. Aqueles com vencimento para 2035 caíram 0,66 p.p. (de 5,16% a.a. para 4,50% a.a.), enquanto aqueles para 2045 foram de 5,24% a.a. para 4,50% a.a. (-0,74 p.p.) na mesma base de comparação.

De acordo com o sócio da SVN Investimentos, Rodrigo Zauner, isso se dá principalmente pelas mudanças nas expectativas de juros futuros. Como aconteceu na última quarta-feira, por exemplo, apesar de a manutenção da Selic já estar precificada, a sinalização do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de que não haverá outro corte no curto prazo surpreendeu o mercado e influenciou nos juros futuros.

“Quando não há o movimento esperado na taxa básica, há a oscilação nas curvas de pagamento. E esse é um movimento constante, principalmente porque os títulos são de longo prazo e muita coisa pode acontecer até seu vencimento”, explica Zauner.

Segundo Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, as expectativas para 2019 em termos dos investimentos em renda fixa é de “baixo prêmio”. “Apesar de grande parte dos brasileiros ter o perfil conservador, os retornos de renda fixa estão muito modestos. Ou o investidor se adapta ou vai em busca de ganhos melhores, como fundos multimercados ou renda variável”, afirma.

Opções

Dentre as alternativas para os alocadores mais conservadores, porém, os especialistas ressaltam que cada um dos títulos públicos tem uma característica diferente a ser considerada. Para o estrategista- chefe da Coinvalores, Paulo Nepomuceno, as pontas mais longas de investimento (os papéis prefixados) não compensam ante o atual prêmio.

“Em tese, a preferência por NTN-Bs [títulos indexados na inflação] podem reagir melhor a qualquer sobressalto que aconteça por crise política, econômica ou simplesmente por crescimento. É preciso ter em mente que estamos no início de um novo governo que precisa implementar mudanças significativas”, avalia.

Já de acordo com o coordenador de cursos da Faculdade Fipecafi Valdir Domeneghetti, em um cenário otimista em relação à passagem da reforma da Previdência, por exemplo, os papéis prefixados acabam sendo a melhor escolha. “Hoje, os cenários mais considerados são aqueles em que as reformas estruturais aconteçam e esses títulos são mais adequados para o que vislumbramos”, complementa o coordenador.

Para o coordenador do Instituto de Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), Marcio Wu, porém, a alocação em títulos prefixados ainda é “muito baseada em expectativas”.

“Nesse primeiro momento, o título mais seguro é o Tesouro Selic, enquanto os prefixados acabam sendo uma aposta na passagem da reforma. Já os indexados na inflação, são voltados para um prazo maior, por exemplo. ”, opina.