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SÃO PAULO - A atividade econômica brasileira fechou o terceiro trimestre com contração, acelerando as perdas sobre os três meses anteriores segundo dados do Banco Central divulgados nesta quinta-feira, num reflexo claro da dificuldade que a economia tem mostrado para sair da recessão.



Os dados dessazonalizados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), espécie de sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), mostraram que a economia do país contraiu 0,78 por cento nos três meses até setembro na comparação com o período anterior. A queda no segundo trimestre ante o primeiro foi de 0,42 por cento.



O resultado negativo se deu apesar da alta de 0,15 do indicador em setembro na comparação com o mês anterior, melhor leitura desde junho, contra expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,20 por cento.



Isso porque em julho e agosto o IBC-Br apresentou quedas respectivamente de 0,18 e de 1 por cento na base mensal. Neste ano, números positivos foram registrados apenas em abril, maio e setembro.



"Algum sinal mais evidente de reversão da atual recessão... só deve vir no começo do próximo ano. Crescimento, talvez só no final de 2017", avaliou em nota o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Gonçalves, que projeta queda de 3,3 por cento do PIB este ano e estabilidade em 2017.



Em relação a setembro do ano passado, o IBC-Br recuou 3,44 por cento. No acumulado em 12 meses, a queda atingiu 5,42 por cento, sempre em números dessazonalizados.



O que evitou a queda do indicador em setembro foi a leve alta de 0,5 por cento da produção industrial após duas quedas mensais seguidas, mas num resultado ainda insuficiente para abrir caminho para uma recuperação sustentada.



Por outro lado, o ritmo de queda das vendas no varejo brasileiro acelerou em setembro para 1 por cento, e o setor registrou o pior resultado para o mês em 14 anos, enquanto o setor de serviços apresentou recuo de 0,3 por cento no volume de vendas no mesmo mês.



O IBC-Br incorpora projeções para a produção no setor de serviços, indústria e agropecuária, bem como o impacto dos impostos sobre os produtos.



Os dados do IBGE mostram que o PIB brasileiro recuou 0,6 por cento no segundo trimestre sobre o período anterior, e os economistas consultados na pesquisa Focus do BC veem contração de 3,37 por cento este ano, com a economia se recuperando em 2017 com uma expansão de 1,13 por cento.



O IBGE divulgará em 30 de novembro os números do PIB no terceiro trimestre de 2016.



(Por Camila Moreira)