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O segmento de private banking expandirá em torno de 6% nos próximos cinco anos no mundo. Segundo projeções do Boston Consulting Group (BCG), o principal motor de crescimento viria dos investimentos offshore frente o avanço dos mercados emergentes.

Segundo o sócio sênior do BCG, André Xavier, a migração de riquezas em mercados emergentes continuará a crescer, principalmente na Ásia e na América Latina.

“O grau de retorno dos investimentos em mercados emergentes pesa menos do que seus respectivos potenciais de crescimento. Nessa tendência, o segmento offshore acaba sendo impulsionado”, explicou Xavier. Atualmente esse segmento corresponde por 8,5% do total de patrimônio gerido por private banks.

Especificamente no Brasil, apesar de a indústria de private banking ter demonstrado um crescimento de 10,7% em 2018 contra 2017, de R$ 872,7 bilhões para R$ 966,2 bilhões, o setor ainda apresenta desafios de tecnologia, concentração de players e diversificação de ativos a serem superados.

De um lado, apesar de novos entrantes já movimentarem o mercado em termos de novas tecnologias e de digitalização, cerca de 60% dos ativos sob gestão estão com os três principais players do segmento.

“Temos um trabalho extenso de interpretar todas as legislações que podem abranger essas novidades e preparar o banker de forma homogênea. E a tecnologia é uma ferramenta importante para desenvolver o mercado. Nosso cliente, hoje, é multicultural, demandante e globalizado”, comenta a diretora de desenvolvimento de negócios e estratégias private bank do Citibank, Juliana Bonfá.

“Além disso, um grande desafio do Brasil é o retorno”, acrescenta o sócio do BCG, ponderando sobre a necessidade de diversificação de ativos nos portfólios.

“A predominância de renda fixa nas carteiras é algo que precisa ser trabalhado no País. Grosso modo, renda variável não chega sequer a 5% do total do mercado. Estamos em um período de transição e há uma relação natural de poder cobrar mais em ativos mais arriscados. Creio que chegaremos lá em algum momento, a tendência é essa, mas ainda vamos demorar um pouco”, complementa André Xavier.

Dinamismo

No que diz respeito à adaptação da indústria, o presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Carlos Ambrósio, destaca o foco da entidade em “garantir condições necessárias para o desenvolvimento saudável e sustentável do mercado”.

“Estamos passando por um momento de transformação na atividade. A adoção das plataformas abertas e das novas tecnologias tem facilitado e democratizado o acesso aos investimentos. Faz algum tempo que nos preparamos e o ponto é garantir que não haja inibições à inovação. Estamos evoluindo com o dinamismo de mercado”, conclui.