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A redução dos juros na ponta tomadora será “modesta e marginal”, mesmo com os novos cortes na taxa básica. Apesar do cenário de retomada do crédito, a queda limitada da inadimplência e a espera pelas reformas impedem o barateamento dos recursos.

Os últimos dados do Banco Central (BC), por exemplo, já apontam que mesmo com a queda de 0,1 ponto percentual (p.p.) na inadimplência média total do sistema financeiro em junho deste ano contra igual mês de 2018 (de 3% para 2,9%), houve um aumento tanto nas taxas de juros como nos spreads.

Enquanto as taxas registraram um avanço de 0,6 p.p., de 24,6% ao ano (a.a.) para 25,2% a.a., os spreads subiram 1,9 p.p. na mesma base de comparação, de 17,7 p.p. para 19,6 p.p..

“O spread é composto por uma série de fatores e mais importante do que a queda da Selic, é a estabilidade econômica do País”, explica o assessor econômico da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FecomercioSP) Altamiro Carvalho.

Ele reitera, ainda, que algumas variáveis indicam uma tendência de queda na inadimplência. “Começamos a ver a volta do emprego, inflação controlada e renda retomando, além de medidas de injeção de liquidez na economia. Tudo isso é positivo para a queda dos juros ao consumidor”, complementa.

Ao passo em que o nível de desemprego caiu 0,7 p.p. de abril a junho contra o trimestre móvel imediatamente anterior (de 12,7% para 12%), o endividamento familiar continua crescente: foi de 41,9% em maio de 2018 para 44% em igual mês deste ano, segundo dados do Banco Central.

Para a economista-chefe da Reag Investimentos, Simone Pasianotto, ainda que a recuperação do crédito continue avançando gradativamente, os movimentos atuais do mercado não são suficientes para trazer reduções significativas nos juros aos tomadores.

“O impacto de uma redução na Selic é muito pequeno e a queda na inadimplência já não é significativa o bastante para sinalizar uma diminuição de risco. As famílias ainda estão endividadas”, avalia.

Do total do spread, um percentual perto de 37,2% se refere à inadimplência, 27,4% às despesas administrativas dos bancos, 20,6% aos tributos e fundo garantidor e 15% à Selic.

Cadastro Positivo

O presidente do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), Roque Pellizzaro Júnior, lembra ainda os efeitos positivos a serem sentidos a partir do andamento mais aprofundado do Cadastro Positivo.

“Para os próximos meses, já temos a sinalização de novos cortes da Selic e o crédito deve ganhar um novo impulso. Os efeitos não são imediatos. É o caso de destacar também o efeito estimulante que a queda dos juros tem sobre a atividade econômica. Nada que mude substancialmente as projeções de crescimento para este ano, mas que pode fazer a economia começar num ritmo melhor em 2020”, conclui.