Publicado em

O contingente de desempregados chegou a 12,351 milhões de pessoas (11,7%) entre agosto e outubro, o que representou queda de 3,1% ante igual período de 2017, e recuo de 4% em relação ao trimestre encerrado em julho deste ano.

Na avaliação do pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) e do IDados, Bruno Ottoni, a taxa de desemprego continuará caindo lentamente ao longo de 2019 e, dificilmente, deve ir para baixo de dois dígitos. Para isso ocorrer, o Produto Interno Bruto (PIB) deveria crescer por volta de 3,5%, sendo que as expectativas do mercado financeiro indicam expansão de 2,5%.

Segundo a Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada ontem, a taxa de desocupação ficou em 11,7% entre os meses de agosto e outubro.

O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) observa que este patamar, contudo, é praticamente o mesmo verificado em 2016 (11,8%), um ano de forte contração da economia.

“A reabsorção [das 12,3 milhões de pessoas] ao mercado de trabalho poderia ser muito mais rápida se o nível de atividade econômica, ao invés de perder ímpeto como vimos em muitos setores, viesse ganhando robustez ao longo do ano”, destaca o Iedi.

Desde março de 2018, a desocupação diminui, porém a passos lentos. O total de desempregados está acima de 10 milhões desde fevereiro de 2016 e na casa dos 12 milhões desde junho deste ano

O Iedi chega a definir esse cenário como um quadro de crise, dado o elevado contingente de pessoas que continuam buscando trabalho “sem nenhum sucesso”. “Em outros termos, é nadar contra a corrente para pouco sair do lugar”, destacou o instituto, em um comunicado.

Ottoni comenta que a resiliência do mercado de trabalho tem sido uma realidade persistente no Brasil, muito por conta da lenta recuperação da atividade econômica.

Ottoni detalha que esse cenário tem feito com o que número de postos de trabalho gerados na economia, em um determinado período, seja semelhante ou um pouco maior do que a quantidade de novos entrantes no mercado.

Em termos hipotéticos, significa que, enquanto a economia consegue gerar 1,2 milhão de vagas, há 1 milhão de pessoas ingressando no mercado de trabalho. Situação que acaba gerando uma absorção muito pequena das pessoas que estão entrando e daquelas que já estavam no mercado.

Ocupação

Como resultado de um cenário de recuperação lenta da atividade, o Iedi destaca que a ocupação, que voltou a crescer desde meados do ano passado, não tem conseguido manter o mesmo ritmo de expansão.

O aumento de 2% na ocupação ocorrido último trimestre de 2017, contra igual período de 2016, refluiu para 1,5% no trimestre finalizado em outubro deste ano.

“Não há dúvidas de que o grande obstáculo a ser superado é a persistente contração do emprego formal. Desde o início de 2015, o número de ocupados com carteira assinada só declina e o resultado de 2018 caminha para fechar novamente no negativo”, destaca o instituto industrial.

O coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), Ricardo Balistiero, também acredita que, dificilmente, a taxa de desemprego sairá de dois dígitos em 2019. Segundo ele, fatores internos e externos são entraves para a retomada da economia, o que, consequentemente, dificulta recuperação de postos de trabalho.

Internamente, a aprovação da reforma da Previdência Social ainda é uma incerteza. “Não aprovar, significa que o Estado continuará sendo um grande absorvedor de recursos”. Do ponto de vista externo, o que preocupa é o possível alinhamento do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) com as ideias protecionistas do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump.

“Além dos EUA não estarem muito preocupados com o Brasil, estamos nos alinhando com um país que deve passar por uma recessão econômica muito em breve”, considera Ricardo Balistiero.