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O mercado de capitalização proporá inserir os títulos da nova modalidade de garantia na nova lei de licitações. Só nos cinco primeiros meses do ano, as receitas do setor avançaram 12% em relação a igual período de 2018, de R$ 8,623 bilhões para R$ 9,655 bilhões.

A iniciativa vem em linha com o surgimento do título como instrumento de garantia, modalidade possibilitada pelo novo marco regulatório do setor, em vigor desde abril deste ano. A linha, que antes era acoplada à modalidade tradicional e visava apenas contratos locatícios, ganhou atuação solo e a possibilidade de ser utilizada em qualquer outro tipo de contrato.

De acordo com o superintendente de riscos financeiros e capitalização da Porto Seguro, Luiz Henrique, apesar de ser muito cedo para perceber crescimentos advindos do novo marco, os produtos criados possuem um forte apelo ao consumidor e, por isso, a proposta de incluir títulos com finalidades para licitações e infraestrutura pode ser contemplada.

“Do ponto de vista prático não existem grandes variações do produto que fazia parte da linha tradicional, mas agora temos condições de fazer abordagens mais diretas e explorar usar o garantia com outros contratos. A leitura é muito positiva”, explica o executivo, reiterando que a Porto já desenha um novo produto para atender essa possível demanda.

Os últimos dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) registraram que só em maio as receitas de capitalização do mercado subiram 21,4% em relação a igual mês de 2018, de R$ 1,761 bilhão para R$ 2,139 bilhões.

Os resgates por sua vez apresentaram uma alta de 4,7% em maio contra igual mês de 2018, de R$ 1,507 bilhão para R$ 1,577 bilhão. Já o volume pago em sorteios subiu 6,1% na mesma base de comparação, de R$ 108,2 bilhões para R$ 114,9 milhões.

“Os números mostram que o ano tem sido positivo e a expectativa é de que o novo marco regulatório e a criação das novas modalidades tragam crescimentos ainda maiores para o mercado”, comenta o diretor de capitalização da Icatu Seguros, Marcelo Oliveira.

O executivo pondera ainda que as boas perspectivas para o cenário macroeconômico para o País também contribuirão para esse avanço. “Além do crescimento, também vemos um percentual de cancelamento bem menor. É um novo cenário que começa a se traçar e estamos apostando muito nesse segmento”, completa.

Em janeiro do ano passado, a Icatu anunciou a compra da Cardif Capitalização do BNP Paribas Cardif e, em maio deste ano, também adquiriu a carteira da Sul América.

“É difícil prever quando os reflexos positivos de todos esses movimentos serão sentidos, principalmente porque existe todo um aculturamento e um esforço do mercado para colocar os produtos à venda. O estágio em que estamos exige um pouco de maturação, mas as estimativas são positivas”, acrescenta Henrique, da Porto.

Apelo social

A outra modalidade criada com o novo marco regulatório diz respeito à linha de filantropia, a qual, segundo o presidente da Federação Nacional de Capitalização (FenaCap), Marcelo Farinha, já soma um total de R$ 173 milhões até o momento, 55,9% a mais do que o registrado pelo instrumento de garantia no período, de cerca de R$ 111 milhões.

“Essa modalidade foi criada a partir [da linha] do Premiado e já registra um forte apelo social para o consumidor. A expectativa é que os recursos tripliquem em relação ao que víamos antes do marco. O mercado já vivencia uma inflexão e a tendência é que esse crescimento seja cada vez mais significativo”, diz Farinha.

Segundo o diretor da Icatu, a possibilidade de trazer uma maior transparência e visibilidade para a modalidade é bastante positivo e traz um forte potencial de aceleração nas vendas desses títulos. “É um segmento que tende a ter um crescimento exponencial nos próximos anos e a ser um dos principais impulsionadores do setor. O apelo social faz com que seja fácil vendê-lo e já vemos até mesmo os bancos trazendo novas abordagens. Além disso, também contamos agora com os canais digitais, o que também deve dar um fôlego a mais”, analisa Oliveira.