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A Engrenar, startup paulistana de soluções para pedagogia, criou o Greg Maker, aparelho que atua como jogo de lógica e apoio para atividades em sala de aula. O dispositivo permite substituir um mouse ou teclado por objetos variados. Assim, facilita a interação de crianças com deficiência física ou intelectual com o computador e colabora para sua inclusão.

Conectado ao computador por um cabo USB, o equipamento composto por uma placa pequena pode ser ligado por fios de cobre a qualquer objeto – uma fruta, um CD, um punhado de massinha de modelar ou um brinquedo, por exemplo.

Os terminais podem ser cobertos pelo aluno ou professor com papel alumínio, que atua como condutor. Quando o estudante toca o papel alumínio ou o objeto, aciona um comando no computador.

A tecnologia permite a meninos e meninas com deficiências físicas ou mentais (a depender do grau) se expressar e criar da mesma forma que outras crianças. “O Greg Maker não apenas ajuda a criança a se capacitar como a motiva a aprender com empoderamento. Ela pode imaginar e produzir o que quiser através da tecnologia”, diz o CEO da Engrenar, Maurício Andrioli.

Segundo o empreendedor, também é possível utilizar o Greg Maker em outras situações. “A versatilidade dele nos fez ter uma alçada inesperada de resultados devido ao seu funcionamento prático, servindo inclusive para tratamentos de lesões mentais leves, como, por exemplo, uma regeneração pós-AVC. Uma associação de cuidados cerebrais a testou em pacientes que tiveram derrame e o Greg permitiu agilizar a recuperação neural”, afirma.

Em razão do formato, o aparelho é sensível ao toque de mãos, pés, ombros e até cabeça. “Imagine uma criança que não tenha braços ou pernas e quer mexer no computador. Conseguimos modelar e adaptar o mouse convencional, que é feito para dedos, ao contato do toque brusco dos membros, fazendo-a ter a mesma capacidade de apertar e criar formas virtuais apenas pressionando a parte do corpo em que tenha melhor mobilidade.”

A Engrenar oferece um curso online com oito horas de duração para capacitar professores e psicopedagogos a utilizarem o Greg Maker. Os estudantes também levam apenas algumas horas para “pegar o jeito” da peça e seu material didático, diz Andrioli.

O kit completo custa R$ 300 e inclui controle remoto para ajustar o nível de dificuldade das atividades, manual de uso, uma lista de sugestões de exercícios e outra de objetos que podem ser adaptados para atuar como cursor.

Empresas terceirizadas importam componentes da China e fornecem peças avulsas à Engrenar. A startup faz ajustes e a montagem final do equipamento. Uma das metas para 2019 é colocar o Greg Maker no varejo por meio de lojas de material escolar e de tecnologia para facilitar a compra por colégios particulares.

Segundo o empreendedor, já há entendimento com prefeituras para implementar o modelo em escolas e creches. “No início do ano firmamos parceria com a prefeitura de São Bernardo do Campo para implementá-lo na rede de ensino. Estamos negociando com outras prefeituras da Grande São Paulo. Há muito campo para crescer, pois o Brasil está defasado em materiais escolares voltados a pessoas com deficiência”, afirma Andrioli.

Segundo o CEO, o faturamento saltou de R$ 10 mil em 2017 para R$ 500 mil neste ano. Para 2019, o objetivo é captar investimentos, aumentar a produção e a rentabilidade, atingindo a casa de R$ 1 milhão. Hoje a equipe tem cinco colaboradores: três técnicos, um diretor comercial e o CEO.

Andrioli diz que a Engrenar já tem uma parceria com a Editora Moderna e que outra deve ser firmada em breve com a Fundação Bradesco de incentivo à educação. A empresa fornecerá o produto em diversas escolas apoiadas pela iniciativa, adianta o empreendedor. Além disso, a Engrenar se interligou no último mês ao sistema do SESI/Senai. “O mercado educacional é amplo, então estamos apenas no início da expansão”, diz.