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(Texto atualizado em 15/05 para correção. O CEO da Braincare é Plinio Targa e não Arnaldo Betta. Segue a íntegra corrigida.)

A startup brasileira Braincare criou o primeiro método não invasivo do mundo capaz de medir a pressão intracraniana (PIC). O aparelho em formato de headband (uma espécie de fio em volta da cabeça) tem um sensor que faz a medição e envia o relatório à plataforma na nuvem ou ao aplicativo.

O sensor presente no aparelho faz uma leitura do movimento de expansão do crânio. O médico pode acessar os dados gerados pelo dispositivo em tempo real, na tela de qualquer monitor médico conectado ao aparelho, pela plataforma na nuvem ou pelo aplicativo.

A empresa foi acelerada no ano passado pela Singularity University, comunidade de aprendizagem global que reúne indivíduos e organizações, com sede no Vale do Silício, EUA. A Braincare foi a única startup brasileira escolhida para a edição 2017 do programa, entre mais de 500 no mundo.

O produto já foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a empresa detém a patente no Brasil e também nos EUA. A startup conta com escritórios nas cidades de São Paulo e São Carlos (SP), e, nos Estados Unidos, em Atlanta.

Em abril de 2018, o hospital Sírio Libanês tornou-se o primeiro cliente da empresa. Segundo o CEO, Plinio Targa, o acordo com a instituição vai além da contratação de serviços. “O Sírio Libanês cuida de alguns hospitais públicos em São Paulo, portanto o nosso método também será analisado para auxiliar a saúde pública.”

O processo envolve o treinamento da equipe médica e o envio dos sensores com a estrutura na nuvem. O aparelho fica com o cliente até o fim do contrato, que geralmente vale por dois anos. Essa é a única maneira de utilizar o equipamento, já que a companhia não comercializa o dispositivo.

Na prática

O monitoramento Braincare pode ser utilizado em vários momentos da jornada de atendimento de pacientes. Entre eles está a triagem e a definição de diagnósticos como hidrocefalia e AVC. Também pode ser usado para monitoração durante procedimentos cirúrgicos de pacientes sob cuidados intensivos e acompanhamento de pacientes com patologias relacionadas à PIC.

A solução foi desenvolvida por meio dos estudos do professor Sérgio Mascarenhas de Oliveira, físico e químico brasileiro. Oliveira derrubou um dos pilares da Doutrina de Monro-Kellie, estabelecida há 200 anos, que afirmava que a caixa craniana é inexpansível nos adultos.

Com base nesse pilar da doutrina, para ter acesso à PIC era preciso realizar uma cirurgia no crânio para inserir um sensor. O resultado dos estudos mudou o rumo das teorias na área e abriu espaço para o desenvolvimento do método da Braincare, segundo a startup.

Hoje, o método está sendo estudado em universidades do exterior, como a de Cambridge, na Inglaterra, e a do Porto, em Portugal. Nos Estados Unidos, a solução também está sinalizando um processo para realizar uma pesquisa em Stanford com a área de neurologia, diz Targa.