Publicado em

Empresas que planejam se internacionalizar podem encontrar no Canadá algumas facilidades. Entre as iniciativas do governo canadense para atrair profissionais qualificados, há alternativas que podem ajudar não só quem busca um emprego, mas também os empreendedores e suas equipes. Além disso, há um ambiente de inovação capaz de colaborar para o desenvolvimento de startups.

Entre os vários programas de emissão de vistos há um específico para empreendedores. Com o Start-Up Visa, o Canadá quer promover no país a criação de negócios inovadores, capazes de gerar empregos locais e competir em escala global. Para isso, pretende abrir anualmente 2.750 vagas de residência para pessoas físicas com esse perfil empreendedor. O dado é do relatório Evaluation of the Start-Up Visa (SUV) pilot, disponível no site do governo canadense.

Apesar do discurso pró-imigração, há alguns pré-requisitos mínimos para que os vistos de moradia sejam aprovados. O Start-Up Visa requer, por exemplo, que a empresa já esteja incubada no Canadá ou que tenha recebido aporte de investidores anjos ou fundos de investimento canadenses. O valor mínimo do aporte deve ser de 200 mil dólares canadenses no caso de fundos de venture capital e de 75 mil no de investidor anjo.

O Start-Up Visa também requer que a equipe seja fluente em inglês ou francês e que tenha, pelo menos, o nível cinco em alguma das provas de competência linguística canadense (CLB e NCLC, nas siglas em inglês e francês, respectivamente).  

Outro programa de emissão de vistos é o Express Entry, oferecido pelo governo canadense para atrair mão de obra qualificada. O intuito é agilizar o visto de residência permanente por seis meses aos imigrantes que pretendem trabalhar ou já estão com alguma oferta de emprego no país. Embora não tenha foco em empreendedores, o programa também pode ser utilizado por aqueles que já têm um negócio e querem internacionalizar a operação ou planejam abrir uma empresa no Canadá.

Para se candidatar ao Express Entry, basta preencher um formulário disponível no site. Não existem pré-requisitos para a aplicação neste programa, mas há um ranking de seleção e candidatos com currículos mais bem qualificados têm mais chance de receber o visto.

Aproximação

Há empresas e instituições especializadas em promover o acesso ao ecossistema e aos contatos canadenses. Uma delas é a Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC).

“Por meio dos contatos em diferentes setores e diferentes áreas, a Câmara pode auxiliar o empreendedor e fazer a conexão entre os membros”, diz a diretora e desenvolvedora de negócios da CCBC, Nina Garcia.

Startups, grandes companhias, investidores, prestadores de serviços, aceleradoras de negócios, incubadoras e parques tecnológicos podem tornar-se membros da Câmara. Recentemente a instituição lançou o Connection Bureau, plataforma bilateral que facilita o contato entre membros dos dois países.

Nina diz que o Canadá tem se tornado um centro de inovação. O país conta com várias universidades e centros de pesquisa. “Há um enorme apoio do governo em pesquisa e desenvolvimento. O que mais se fala no país hoje é inovação”, afirma.

Em 2017, Vancouver e Toronto foram ranqueadas no top 20 de cidades mais receptivas a startups do mundo, segundo o relatório Startup Genome. Toronto ocupa a décima sexta posição no ranking, enquanto Vancouver aparece na décima quinta. Vancouver subiu três posições em relação ao ano anterior, e Toronto avançou uma posição.

A startup Next Level Hub é uma das companhias que ajudam empresas e empreendedores que almejam se inserir no ecossistema canadense. O CEO Felipe Soares diz que, para estar qualificado para o mercado local, é preciso ter, no mínimo, conhecimento do cenário. “O jeito de vender o produto é diferente em outro país, por isso é preciso saber e entender a cultura e a forma com que a sociedade lá se organiza”, afirma.

Soares avalia que, mesmo tendo conhecimento da cultura e dos costumes locais, fazer um bom networking e ter diplomas de cursos canadenses ajuda muito também. “Lá há um mercado enorme e com muitas oportunidades, mas o ambiente é extremamente competitivo”, diz.

Inserção

O CEO da startup brasileira Nama, Rodrigo Scotti, está no processo de internacionalização dos negócios no Canadá. A empresa desenvolve robôs de atendimento (chatbots) com base em inteligência artificial e machine learning.

A Nama participou de um programa de intercâmbio para empreendedores promovido pelo Google em 2017 e foi selecionada para o Creative Destruction Lab (CDL), programa de empreendedorismo da Rotman School of Management, escola de negócios da Universidade de Toronto.

“Conhecemos as pessoas e tivemos mentorias com trabalho sério e pontual. Toda a experiência gerou uma mudança estratégica para a empresa”, afirma Scotti. Com a Nama já incubada no Canadá, o próximo passo é iniciar as operações no país.