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Após mais de cinco anos de trabalho, o Bradesco completa amanhã, com a inauguração do espaço de inovação Habitat, em São Paulo, o seu ecossistema de inovação. O processo começou entre 2011 e 2012, quando foi formado um comitê executivo para pensar em inovação, colocando esse tema como fundamental para todos os departamentos do banco.

Com o passar do tempo, os participantes do comitê perceberam que apenas o trabalho interno não era suficiente. Então o inovaBra surgiu em 2014 como uma plataforma de inovação para captação e desenvolvimento de ideias com startups.

De acordo com o gerente de Inovação do banco, Fernando Freitas, desde o inicio a proposta era trazer ideias de fora. “A gente tinha clareza que a inovação tinha que ser uma preocupação do banco como um todo e não só de um departamento.”

O primeiro programa do inovaBRA foi o de aceleração de negócios. Já foram avaliados 1.600 projetos, com 20 pilotos realizados. Os empreendedores têm seis meses para desenvolver seus produtos e podem receber investimento da instituição financeira ao fim desse período.

Essa área de investimentos é conduzida a partir do inovaBRA ventures, um fundo com R$ 100 milhões com a finalidade de realizar aportes nas empresas novatas que passarem pelo inovaBRA e também em outras startups.

Pesquisas internas

Em relação ao maior envolvimento interno com inovação, que seria tradicionalmente uma responsabilidade da área de pesquisa e desenvolvimento, o banco criou três programas para difundir o tema e criar engajamento com ele.

Um deles é o inovaBRA pesquisa, com uma equipe que analisa novas tecnologias, tendências e comportamentos de consumo.

Já o inovaBRA inteligência artificial tem essa tecnologia como foco. Uma equipe de cientistas de dados utiliza dados do Bradesco para aplicar novos negócios para melhorar a interação dos clientes com o banco.

Há ainda o inovaBRA polos, que conta com mais de 100 funcionários dedicados a buscar novos modelos de serviços, produtos e soluções.

Inovação aberta

Além de selecionar e acelerar startups, o banco quer aproximar esses empreendedores e sua própria estrutura interna e também seus clientes. Para isso foram criados alguns programas, como o inovaBRA Hub, o internacional e o lab.

O Hub consiste na conexão com grandes empresas. Por meio de uma plataforma online, essas companhias publicam desafios reais de negócio. A partir disso, as startups interessadas apresentam soluções e essas empresas selecionam os empreendedores.

O gerente de Inovação do Bradesco, Fernando Freitas

O internacional recebe este nome porque tem como sede um laboratório de inovação localizado em Nova York. O objetivo é prospectar startups de fora do Brasil e também acompanhar as principais tendências tecnológicas e comportamentais pelo mundo.

Em parceria com empresas de tecnologia, o Lab (laboratório) visa a acelerar o desenvolvimento de soluções dos empreendedores. Além de possibilitar a homologação e certificação desses projetos, os laboratórios serão ocupados também por representantes de diversas áreas de tecnologia do banco.

Fechando o ciclo

Depois de colocar essas iniciativas em andamento, faltava a inovação mais visível. Para isso, o prédio destinado a co-inovação será inaugurado amanhã em São Paulo.

Parceiros do Bradesco e startups trabalharão lado a lado com fornecedores de tecnologia, além de consultorias, aceleradoras e fundos de investimento, para gerar negócios por meio de networking e colaboração. O local simboliza o ecossistema de inovação criado pelo inovaBRA, já que conecta grande parte das iniciativas em um só local.

O gerente de inovação sintetiza esse movimento do Bradesco em três vertentes. “Temos o momento de descoberta com o lab, internacional e habitat; depois queremos integrar as iniciativas por meio da aceleração e dos polos, e depois, desenvolvimento e aquisição com o ventures”, diz Freitas. 

De acordo com ele, o inovaBRA não vai desenvolver novos programas por enquanto. "Nos próximos anos a nossa ideia é trabalhar com esse ecossistema para acelerar as inovações da organização."

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