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Deixar cães ou gatos sozinhos é sempre uma dor de cabeça para o tutor, que precisa dar um jeito de alimentar e monitorar os bichinhos. A startup PlayPet, de Curitiba, criou uma solução para isso com um comedouro inteligente acionado por aplicativo, que pode ser combinado com uma câmera. A ferramenta tem conexão wifi e permite liberar ração, ver e falar com o pet e ainda compartilhar informações com familiares ou cuidadores.

O aparelho tem uma bandeja na parte inferior que se abre para alimentar o pet nos horários programados, até dez vezes por dia. A cada horário é liberada a quantidade determinada pelo tutor. O equipamento armazena até 2 kg de ração seca – a startup recomenda utilizar as que têm grãos pequenos. Ainda que o animal disponha de um cuidador, o comedouro otimiza o tempo do profissional. A empresa oferece ainda um bebedouro com filtro embutido. Todas as funções podem ser acionadas pelo aplicativo em tempo real.

O CEO, Rafael Souza, conta que a ideia surgiu da experiência própria com seu cachorro. “Sou engenheiro elétrico, trabalhava muito tempo fora e deixava meu cão só. Sentia essa necessidade na pele e comecei a bolar o operacional tecnológico para desenvolver um produto que permitisse aos donos olharem por seus pets de qualquer lugar e a qualquer momento”, diz.

O insight veio em 2014 e o empreendedor ficou três anos viabilizando o projeto. O primeiro incentivo veio no início de 2017, após um período de incubação na Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), durante o qual investidores anjos se interessaram pela ideia. A partir dos primeiros investimentos, de valor não revelado, a iniciativa tomou forma.

Em um ano, a PlayPet desenvolveu a linha de comedouros inteligentes, que podem ser utilizados em conjunto com uma câmera de uma indústria parceira, a Intelbras. Com imagem em alta definição (HD), a câmera tem campo de visão 111º (diagonal), visão noturna, áudio bidirecional e pode gravar.

A versão wifi, com chancela da Anatel, começou a ser comercializada em agosto de 2017. O comedouro sozinho custa R$ 499; a câmera avulsa, R$ 299. O combo de comedouro e câmera sai por R$ 699.

De acordo com Souza, as barreiras logísticas foram a principal dificuldade para oferecer os produtos em escala nacional. “Construímos parcerias com petshops para revender a linha em algumas cidades. Em localidades nas quais não tínhamos essa facilidade, o comprador recebe o kit em domicílio, por meio de transportadoras parceiras.” O lojista ou veterinário que revende os aparelhos recebe comissão e descontos a cada venda.

Outro desafio foi prevenir acidentes e falhas de funcionamento. “Como estamos lidando com cães e gatos, há o risco de eles danificarem o material. Para isso criamos um alerta que vai direto ao perfil do dono para relatar problemas técnicos que impediram a operação”, diz.

Com orçamento de R$ 1 milhão para produção e comercialização, a companhia quer ampliar sua marca. “O investimento é gradual e calculado, mas já alcançamos 18 estados e todas as regiões do País. Queremos dividir as receitas para aperfeiçoar tanto atendimento quanto expertise”, diz o CEO.

Segundo o empreendedor, o equipamento também atende hotéis para pets. “Estamos falando de um mercado que viu crescer 25% a população de cachorros e gatos de 2014 para cá. No mesmo período, houve redução no nascimento de bebês. Então os animais são cada vez mais valorizados e terão de ser cuidados dessa forma. Quem usar a ferramenta poderá aumentar sua clientela pela visibilidade e credibilidade que o acompanhamento a distância dá aos donos”, afirma.

A PlayPet pretende ainda lançar uma linha de brinquedos caninos e felinos até meados de 2019. A equipe conta hoje com oito colaboradores fixos. O corpo diretivo tem Souza e três sócios: Paulo Ferrarini, Fernando Agnes e Guilherme Silva.