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SÃO PAULO - O conceito de economia compartilhada, que se popularizou com o modelo de hospedagem do Airbnb, começa a abrir espaço também no segmento de locação de veículos. É uma das novidades que estão transformando um mercado dominado por grandes players.

Assim como a startup norte-americana fornece acomodações sem dispor de um único quarto, empresas de carsharing oferecem veículos sem contar com frota própria. Entre os negócios nascentes de compartilhamento de carros estão a Moobie, lançada em março de 2017, e a Parpe, de fevereiro de 2016, ambas surgidas em São Paulo. 

As plataformas oferecem um sistema totalmente online para que os usuários possam alugar veículos diretamente dos respectivos proprietários. As startups cobram uma taxa de 20% sobre o valor que o dono do carro recebe pelo negócio fechado.

O preço da diária é definido pelo dono, que envia os documentos e informações básicas do carro para validação do cadastro. As informações são utilizadas no anúncio. Quando surge um interessado, o local de retirada e o horário para entrega são definidos entre as partes.

“Temos modelos anunciados desde R$ 70 até R$ 400”, diz a CEO da Moobie, Tamy Lin. De acordo com a empreendedora, a plataforma registra cerca de 40 mil usuários interessados em alugar algum veículo e, na outra ponta, três mil pessoas anunciando seus carros no Estado de São Paulo.

A Parpe, além de atuar no Brasil, lançou uma operação em Portugal. Segundo o diretor comercial da empresa, Lúcio Gomes, o país pode ser uma porta de entrada para o mercado europeu.

“No ano passado, vimos um número muito grande de brasileiros indo para Portugal e estamos surfando nessa onda”, diz Gomes. Ele observa que, embora o mercado lusitano seja bem menor que o brasileiro, o carsharing já é bem conhecido na Europa.

Ambos os empreendedores afirmam acreditar que o novo modelo ainda é embrionário no Brasil e que a proposta precisa ser assimilada de forma gradual, como uma alternativa de mobilidade urbana. 

Gomes pondera que os grandes players do setor, como a Localiza, não veem as novatas como uma ameaça comercial, podendo até trabalhar em parceria com elas. “Podemos ver até as grandes locadoras participando do capital destas empresas”, afirma. A Moobie e a Parpe não divulgam o faturamento.

Para Benjamin Rosenthal, professor de Marketing e Pesquisa de Mercado na Fundação Getulio Vargas (FGV), o conceito de economia compartilhada e o modelo de carsharing podem “jogar a favor” dos players já consolidados no Brasil, pois atendem clientes com demandas diferentes.

De acordo com o especialista, o novo modelo atinge um público que necessita de um veículo para situações pontuais no cotidiano, a fim de utilizá-lo por algumas horas. “Um concorrente direto da Moobie poderia ser o táxi”, exemplifica.   

“Este é um negócio bastante sinérgico por não conceber o carro como posse, mas sim estimular o hábito de ‘abandonar’ o veículo e alugá-lo”, diz.

Processos digitais

A Zazcar e a Urbano não operam no modelo de carsharing, mas o cliente pode reservar, localizar e destravar o carro no ambiente digital, além de efetuar o pagamento.  

Essa é outra característica das players mais novas do mercado: o fato de permitirem ao cliente fazer todo o processo de locação online, sem necessidade de se deslocar até uma agência ou ponto fixo para retirar o carro.

A Urbano, lançada em novembro de 2017 em São Paulo, dispõe de uma frota própria de veículos elétricos e a combustão. Assim como na Zazcar, os clientes têm acesso ao carro por meio do aplicativo.

Os carros da Urbano ficam espalhados por nove bairros da capital paulista, denominados como “home zones”, para tornar mais flexível e prático o processo de retirada e entrega. Por ora, as regiões cobertas são Jardim Europa, Moema, Vila Olímpia, Vila Nova Conceição, Vila Madalena, Chácara Santo Antônio, Brooklin, Berrini e aeroporto de Congonhas.

Dentro destes perímetros o usuário pode deixar o veículo literalmente em qualquer esquina. Se devolver um modelo elétrico em algum ponto de recarga da startup – Moema, Jardins e Vila Nova Conceição –, ganha um desconto de 30%.

O valor da locação é calculado pelo tempo de uso. O usuário paga R$ 1,20 por minuto. Por uma hora fechada, o valor cai para R$ 1,02 por minuto; cinco horas de uso saem por R$ 306; e a diária é de R$ 350. A empresa trabalha com dois modelos de carro: Bmw i3 (elétrico) e Smart (combustão). As tarifas são as mesmas.

“Ainda para este ano, vamos importar 40 carros elétricos e 60 a combustão”, afirma o CEO da Urbano, Leonardo Domingos. Ele diz que a empresa tem hoje uma frota de 65 veículos, dos quais 10% são elétricos. A ideia é aumentar esse percentual para 30% até o fim de 2018.

A empresa espera faturar neste ano entre R$ 5 milhões e R$ 8 milhões. Com planos de se consolidar primeiro em São Paulo, com uma frota de 300 veículos, o empreendedor prospecta futuramente expandir a operação para Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis e Brasília.

Já o sistema Zazcar, por meio do aplicativo lançado em novembro de 2016, identifica a localização do usuário e disponibiliza cerca de 130 opções de carros, distribuídos em 103 estacionamentos conveniados na cidade de São Paulo.

Assim como a Urbano, o cliente da Zazcar consegue acesso ao veículo pela plataforma online. As tarifas são divididas em “pacotes” e calculadas pelo tempo e quilometragem percorridos. A empresa, fundada em 2009, não informa o faturamento. 

Veja abaixo a tabela de preços da Zazcar:

Planos

Tempo de uso

Por quilômetro

Hora adicional

Pacote Livre

R$ 10,00 por hora

+ R$ 0,90

--

Pacote 1

R$ 80,00 por 12h

+ R$ 0,85

+ R$ 6,67

Pacote 2

R$ 132,00 por 24h

+ R$ 0,50

+ R$ 5,50

Pacote 3

R$ 240,00 por 48h

+ R$ 0,50

+ R$ 5,00