Publicado em

Com um aplicativo, o consumidor escaneia o código QR na porta do mercado e libera sua entrada. Lá dentro, escolhe os produtos e escaneia o código de barras de cada um. Ao final, confere a lista, paga e deixa o estabelecimento com suas compras – tudo com o celular. Assim funciona o Zaitt, mercado sem funcionários criado em Vitória.

A ideia surgiu de um delivery de bebidas, criado em 2016 pelos sócios Rodrigo Miranda, Tomás Scopel, Mario Miranda e Renato Antunes. “Eles começaram a investir no varejo alimentício, abriram uma loja física no galpão de distribuição das bebidas e concluíram que o delivery não estava gerando faturamento. Assim veio a ideia de montar um mercado inteligente inspirado em modelos da Europa e da China”, conta o CEO da Zaitt, Adalberto Calonego.

O projeto de um mercado autônomo tomou forma e começou a operar em 2017, na capital capixaba. Agora, os empreendedores começam a expandir a operação. A primeira unidade fora de Vitória deverá ser aberta em São Paulo, no bairro de Pinheiros, zona oeste paulistana, ainda neste ano.

Até o fim de 2019, os sócios esperam abrir mais três pontos na cidade, entre Pinheiros e Vila Olímpia, em formato de franquia. Com a chegada à capital paulista, a expectativa é que o faturamento líquido mensal, hoje em R$ 50 mil, atinja R$ 350 mil. 

Atualmente, a companhia conta com 13 colaboradores, divididos em gestão de estoque, encomendas a fornecedores e analistas de sistema. 

A meta é competir com as bandeiras de vizinhança de varejistas como Carrefour e Pão de Açúcar. “Queremos testar o modelo em um grande mercado consumidor como São Paulo. Nosso público-alvo é o jovem inserido com tecnologias. A estratégia é atraí-los pela praticidade e conveniência, tabelando os preços com base na concorrência, que são os minimercados de grandes marcas”, diz o CEO.

Como funciona

A loja, aberta 24 horas por dia, é rastreada por câmeras ligadas a uma central que fiscaliza o ambiente em tempo real. As prateleiras são conectadas a um software de gestão de estoque, para controlar a saída dos produtos e fornecer dados para a reposição adequada.

A central é avisada por um sensor nas prateleiras quando algo está em final de estoque. A equipe repõe semanalmente itens que estejam em falta. “O próximo passo será virar uma smart store total, conseguindo que o sistema mande o relatório de reposição direto aos fornecedores”, diz Calonego.

No médio prazo, outra meta será permitir a entrada do cliente por reconhecimento facial, sem a necessidade de celular. A compra poderá ser paga por meio de RFID, sigla em inglês para sistemas de identificação por radiofrequência como o utilizado pela empresa Sem Parar, que aplica o modelo em pedágios e estacionamentos. 

Para isso, a Zaitt já está testando a tecnologia. “Em caso de o cliente esquecer o celular, ele poderá entrar por reconhecimento facial. Atualmente ainda necessitamos do QR code para liberar a compra, o que mudará com a inovação”, diz. "O sistema que iremos implementar permitirá que a pessoa que esqueceu o telefone possa pagar o serviço ao final do mês corrente”, complementa.

Prevenção

Devido ao modelo de operação sem funcionários, os empreendedores já estavam preparados para o risco de eventuais furtos, com estimativas numéricas e estratégias para prevenção. “Nosso foco não é transformar a loja em um bunker. Sabíamos que roubos ocorreriam", diz Calonego. 

"Cada vez que havia delitos, como arrombamento de portas, pensávamos em mais soluções para evitá-los. Medidas simples, como reforçar as portas, surtiram bom efeito. Hoje, numericamente, um mercado comum tem uma taxa de 3% de furtos mensais, e nós, 1,9%”, relata.