Publicado em

Na contramão das grandes multinacionais fabricantes de produtos de higiene pessoal, surgem pequenas empresas com métodos sustentáveis alternativos ao uso de absorventes descartáveis. É o caso das brasileiras Pantys, Korui e Herself.

Com apelo ecológico e inspiradas também em uma onda mundial de ideais feministas, essas empresas colocam no mercado produtos como calcinhas menstruáveis, absorventes reutilizáveis e copinhos coletores de silicone.

Inaugurada em agosto de 2017, a paulistana Pantys fabrica calcinhas absorventes. O produto é feito com tecido de poliamida e elastano por fora e um modal de fibras naturais por dentro.

Assim como a Pantys, a Herself, de Porto Alegre, trabalha com um produto semelhante desde abril de 2018. A diferença é que, na versão da Herself, a camada interna é de algodão. Ambas as marcas oferecem três modelos diferentes: para fluxo leve, médio e intenso. Os preços variam entre R$ 75 (fluxo leve) e R$ 95 (intenso).

Para inaugurar seu e-commerce, a Herself, que já havia estruturado o modelo de negócios desde 2017, contou com um financiamento coletivo. A contribuição foi feita ao estilo de "vaquinha virtual" no site Catarse, de agosto de 2017 até abril de 2018. Foram arrecadados R$ 103 mil nesse período.

Segundo a sócia-fundadora da empresa, Raissa Kist, a primeira meta (de R$ 30 mil) foi batida em 20 dias. “O objetivo era fazer um pré-lançamento e entender o engajamento das brasileiras com a ideia das calcinhas e o resultado foi super significativo”, comenta.

Embora a Pantys não divulgue números de faturamento e investimento inicial, em nota, a empresa afirmou que o “crescimento de 2018 foi quatro vezes maior que o do ano passado”.  

Da mesma forma que a Pantys e a Herself, a Korui, de Florianópolis, também fabrica calcinhas menstruáveis, mas começou atuando na venda de absorventes reutilizáveis. O produto tem o mesmo formato que o descartável, mas é feito com camadas de pano e pode ser lavado.

Absorventes reutilizáveis de pano da marca Korui

O principal canal de venda das três fabricantes é o comércio eletrônico, mas a venda física não é dispensada.  No caso da Pantys e da Korui há também esse formato de comercialização.

Na Rua Oscar Freire, na capital paulista, a Pantys inaugurou em 2017 uma pop-up store (loja temporária). A ideia é transformar o estabelecimento em um local definitivo para as vendas físicas. “A loja tem feito muito sucesso e vendido bem, o que não estava em nossos planos”, dizem as sócias, Maria Eduarda Camargo e Emily Ewell.

No caso da Korui há revendedores. A fundadora, Luisa Cardoso, conta que só uma minoria deles têm lojas físicas. “A maioria revende por meio de lojas online, assim como nós, mas é possível encontrar nossos produtos em alguns estabelecimentos”, explica.

Há duas formas de revender os produtos da empresa: sendo afiliado ou revendedor. Revendedores podem comprar os produtos no valor de atacado e vendê-los da forma que preferirem (site, lojas físicas, feiras etc.). Os afiliados devem ter um público-alvo, que receberá 10% de desconto nos produtos. A comissão é de 15% do que for vendido.

Em maio de 2018, a Korui vendeu 4.349 produtos. Destes, 30% foram destinados a revendedores. A empresa tem pracistas em todo o Brasil, exceto nos Estados do Amapá, Roraima, Rondônia, Acre, Amapá, Mato Grosso, Tocantins, Piauí e Sergipe.

A fabricação das três empresas é nacional. A duração média das calcinhas é de dois anos, segundo as próprias companhias. Para a utilização durante todo o ciclo menstrual, é recomendado intercalar o uso de mais de um produto.

Sustentabilidade 

Além das calcinhas e absorventes ecológicos, outro produto com apelo ecológico que tem ganhado espaço é o coletor menstrual, uma espécie de copinho de silicone dobrável feito para ser colocado dentro do útero. A função é coletar de forma segura e prática todos os resíduos durante o período menstrual.

A Korui é uma das inúmeras marcas que oferecem o coletor hoje no mercado brasileiro. Existem também marcas que trabalham somente com este produto, como Fleurity, Violeta Cup e Inciclo.

Coletores menstruais da marca Korui

Para confecção dos coletores, feitos de silicone medicinal, a Korui conta com uma empresa parceira fabricante de produtos hospitalares.

Ao final do ciclo, o coletor deve ser higienizado e fervido para ser usado novamente. Por isso, as empresas comercializam também recipientes (de diferentes formatos e materiais) especiais para a higienização do copinho, que não pode ser esterilizado em panelas comuns.

O preço dos coletores varia de R$ 40 a R$ 90, dependendo da marca. Os recipientes custam de R$ 30 a R$ 100.