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A imobiliária EmCasa usa tecnologia tanto para oferecer conveniência ao cliente que busca um imóvel como para manter uma estrutura enxuta, sem lojas físicas. O modelo digital promete resultar em taxas melhores para quem compra, vende ou aluga um imóvel.

A startup oferece um pacote de serviços que inclui visitas virtuais aos imóveis e, depois, ajuda a enfrentar a papelada envolvida na negociação. Para isso, cobra uma taxa de corretagem de 3% do valor do negócio, inferior à média de 5% cobrada por imobiliárias tradicionais. 

A empresa criou uma aplicação web e móvel para fazer a ponte entre anunciante e interessado. Com filtros de perfil, o software seleciona opções que se alinhem às necessidades de cada cliente, como preferências de localização, acesso a transporte público e lazer.

Com base nas respostas, a plataforma gera uma lista de opções. Em seguida, um corretor vai até o cliente com um óculos de realidade virtual, para que este possa “visitar” os imóveis selecionados. Ao final, a empresa se encarrega dos trâmites burocráticos.

“Nosso objetivo é evitar ao máximo a perda de tempo do usuário, mostrando a distância vantagens, funcionalidades e possíveis problemas estruturais de cada imóvel já no anúncio e, depois, na visita virtual”, diz o CEO e fundador da EmCasa, Gustavo Vaz.

Para quem vende, há também agendamento online de visitas para avaliação. Após a análise, a equipe fornece ficha técnica, mapas com GPS e orçamento para o anúncio, aliando conceitos de big data e machine learning. “Muitas vezes a localização do bairro não importa a um comprador, mas sim o conforto e abundância de transporte público. Ao ligar atributos, geramos sugestões específicas em relação a facilidades.”

Estrutura

Um diferencial da companhia é trabalhar com contratação e remuneração fixa de corretores. Além de um piso fixo, os profissionais que mais vendem podem receber um bônus - diferente da comissão paga a cada venda no modelo tradicional de corretagem.

“Arregimentamos profissionais da área e pagamos [o valor fixo] mensalmente, independente de vendas", afirma Vaz. "A depender da atuação, ele também recebe bônus”, acrescenta.

Quando surge uma solicitação, o corretor mais próximo do local é acionado para realizar uma visita, em um modelo de geolocalização parecido com os dos aplicativos de transporte como 99 ou Uber. 

Com 18 funcionários e 30 vagas em aberto, a imobiliária tem atualmente cerca de 650 anunciantes (eram 20 em janeiro).

Atuação

A iniciativa surgiu da vontade de empreender do CEO e de seu colega de graduação Lucas Cardoso, hoje COO da empresa. O projeto tomou forma ao longo de 2017 e a operação foi lançada oficialmente no fim daquele ano, em novembro.

O foco inicial foi a zona sul do Rio de Janeiro, avançando gradualmente para outras regiões da cidade. Já consolidada na capital fluminense, a startup olha agora para São Paulo. Até o fim de 2018, a EmCasa mudará sua sede para a capital paulista, onde pretende . Devido ao tamanho e topografia da cidade, a atuação será em todo o seu centro expandido.

Depois de investir do próprio bolso, a dupla conseguiu atrair atenção de três fundos de investimento e 15 investidores anjos brasileiros e norte-americanos, que injetaram R$ 4 milhões em aportes. A verba foi aplicada em tecnologia e operacional, com a contratação de uma equipe de TI e vendas.

A startup foi acelerada pelo fundo institucional norte-americano Pear VC, parceiro da ideia desde março de 2018. E passou por programa de aceleração na Universidade de Harvard, nos EUA, de agosto de 2017 a abril deste ano.

Um dos projetos para 2019 será estreitar parcerias com imobiliárias físicas. “Avaliamos esta possibilidade no passado e decidimos que não era o momento. Hoje, porém, por ser um segmento de difícil digitalização, iremos estudar propostas para otimizar serviços de grandes players”, diz o empreendedor.

Mercado

Para o especialista em startups Raphael Augusto, da aceleradora corporativa Liga Ventures, há muito espaço para inovação no mercado imobiliário. “A dinâmica de vida mudou muito e o perfil das ofertas se alterou com isso. A crise fez o aluguel crescer e as vendas caírem. Empresas que tiverem timing para reconfigurar essa dinâmica largam na frente pelo público-alvo”, diz.

“Imobiliárias que filtram público, tipos de imóvel e localização saem na frente. Um estofo tecnológico para direcionar públicos exatos é meio caminho para isso. Trazer o melhor relacionamento possível entre as partes interessadas e ter um mecanismo com menores preços são chaves para o destaque”, avalia.

O especialista cita outras startups que apresentam soluções para questões pontuais da cadeia. “Propostas como as do QuintoAndar, que interliga aluguéis e fiadores, ou Permuta Fácil, que se especializou em conduzir trocas de imóveis nos moldes do Tinder, com ‘matchs’ e ‘likes’, podem ser incluídos na vanguarda dessa reformulação, junto aos multisserviços que oferece a EmCasa”, afirma.