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A lucratividade anual média das empresas de coworking caiu 4% em 2017 ante o ano anterior, segundo o Censo Coworking Brasil 2018, publicado nesta semana. O valor médio por companhia foi de R$ 86 mil no ano passado. Em 2016, o resultado era de R$ 90 mil. A receita média, entretanto, aumentou 9%, ficando em R$ 257 mil frente aos R$ 235 mil do período anterior.

O Coworking Brasil, site que reúne vários empresários do segmento, divulgou o levantamento nesta semana. A coleta de dados ocorreu entre março e abril de 2018, mas se refere aos resultados obtidos em 2017.

Conforme a análise do coordenador do Centro de Empreendedorimo e Novos Negócios da Faculdade Getulio Vargas (FGV CENN), Tales Andreassi, um dos motivos que explicam a perda de lucratividade é que a permanência do público nos espaços é pequena. “Tanto a empresa que cresce quanto as que não dão certo saem dos escritórios compartilhados em pouco tempo.”

Segundo o censo, apenas 5% dos negócios ficam mais que 24 meses nos espaços de coworking. Outros 14% permanecem de 12 a 24 meses, 27% de seis a 12 meses e 21% de três a seis meses.

Outro ponto destacado por Andreassi é que a maior parte dos coworkings não oferece serviços específicos para cada iniciativa. “Quando o espaço é compartilhado por empresas de biotecnologia, T.I e marketing, por exemplo, fica difícil ter atrativos que mantenham clientes tão diversos.”

Conforme o levantamento, 75% das empresas do setor são multidisciplinares. Outras 12% são da indústria criativa, 5% de tecnologia e 8% de demais segmentos.

Para o cofundador da Coworking Brasil Fernando Aguirri, a maturidade do mercado está maior. As empresas que passaram pelo período inicial estão se fortalecendo e reinvestindo, o que faz o lucro diminuir.

Mas, mesmo com a perda na lucratividade, o número de espaços compartilhados cresceu 48% em 2017 frente ao ano anterior. Atualmente, são 1.194 em todo o País. Enquanto que, em 2016, eram 810 empresas. A pesquisa computou estabelecimentos em 169 municípios. Do total, 55% estão presentes nas capitais e 45% em cidades do interior.

Embora o número de coworkings tenha crescido neste ano, o aumento foi estável se comparado ao crescimento entre 2015 e 2016. Isso porque, no período, houve uma alta de 114%. Aguirri explica que, neste censo, a quantidade de municípios analisados aumentou em relação ao levantamento passado, o que acaba impactando no resultado deste ano.