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Com previsão de concluir toda a obra nos primeiros meses de 2019, a Smart City Laguna, nome da primeira cidade inteligente social do mundo, espera receber seus primeiros moradores no início do ano. A primeira das duas etapas, com cerca de 70% da área total, ou 90 hectares, já foi entregue.

O projeto da Planet, empresa ítalo-britânica de desenvolvimento imobiliário, contempla lotes padrão de 150 metros quadrados, vendidos entre R$ 30 mil e R$ 40 mil, e casas de 55 metros quadrados, por R$ 97 mil. O empreendimento fica em São Gonçalo do Amarante, na região metropolitana de Fortaleza, a 55 km da capital.

Além dos imóveis com preços mais acessíveis, que podem ser adquiridos por meio do programa Minha Casa Minha Vida, a CEO da Planet no Brasil, Susanna Marchionni, explica que o projeto é considerado social por ter uma “infraestrutura de alto padrão, além de serviços e tecnologia ao alcance de todos.”

Há várias definições para o conceito de cidade inteligente (ou smart city). Em geral, o termo designa locais com boa infraestrutura de tecnologia e mobilidade para uma vida comunitária sustentável.

Questionada sobre a escolha do local, a executiva disse que a decisão foi inusitada. “Eu estava lendo a revista britânica The Economist e vi numa matéria que essa região do Porto do Pecém era uma das melhores regiões do mundo para investir”.

Embora nunca tivesse visitado o Brasil, Susanna e seu marido saíram de Turim, na Itália, diretamente para o Ceará. Em 2014 o casal começou a procura e adquiriu um terreno ainda sem nenhuma infraestrutura. A própria Planet teve que preparar a terra e instalar a rede elétrica.

Terreno foi adquirido 'do zero' e as obras começaram em 2016

 

Depois de pouco mais de dois anos de construção, a primeira etapa da obra, de 90 hectares, foi entregue e os primeiros moradores começam a habitar na região. O diferencial do empreendimento é ter tudo próximo: hospital, escola, bairro comercial. Assim, o morador não perde muito tempo no deslocamento para suas atividades cotidianas.

No campo da sustentabilidade, todas as casas foram equipadas com painéis fotovoltaicos, para utilizar energia solar. Além disso, todo o complexo estará equipado com iluminação em led, wi-fi e câmeras de segurança, a que os moradores terão acesso ao vivo por meio de um aplicativo. A ferramenta também serve para os moradores se conectarem por meio de mensagens.

O aplicativo será apresentado como plataforma para companhias oferecerem promoções. Como exemplo, todos os moradores que comprarem imóveis de uma determinada marca terão 30% de desconto. Para as empresas, o interesse vem das compras em massa, já que a Smart City Laguna terá entre 20 mil e 25 mil moradores.

Além do relacionamento entre os moradores e os descontos que o aplicativo possibilita, há também uma área para os usuários saberem o que está acontecendo no local, como eventos culturais em geral ou os filmes em cartaz no cinema.

Como uma cidade inteligente social, há também serviços gratuitos para moradores e pessoas que vivem no entorno, como aulas de inglês e de teatro.

O projeto da cidade inteligente teve um custo de US$ 50 milhões, totalmente bancado pela Planet, diz Susanna. De acordo com a executiva, o retorno desse capital está previsto para os próximos cinco anos. O faturamento da empresa vem desde a venda dos terrenos até a monetização prevista para o aplicativo, ao cobrar das empresas para oferecer serviços ou produtos para os moradores.

Especulação imobiliária

O medo de uma valorização excessiva que expulse os moradores com menor poder aquisitivo existe, mas a Planet já pensa em como argumentar. “Vamos mostrar aos moradores que não vale a pena vender para ter um ‘lucro baixo’. Quanto ele [morador] pagaria para se deslocar até o trabalho? Quanto pagaria para colocar os filhos numa escola de inglês?”, diz Susanna.

Casa modelo da Smart City Laguna

Para Roberto Marcelino, co-fundador da iCities, empresa que faz projetos e soluções para cidades inteligentes, o projeto da Smart City Laguna é positivo, mas não se pode afirmar que os moradores mais humildes vão continuar no local. “A ideia é experimental, então não sabemos como vai se portar no futuro”, diz o especialista.

Para atrair pessoas para o local, Marcelino vê como ponto positivo a qualidade de vida que se pode ter nesse tipo de iniciativa. “As pessoas procuram espaços em regiões próximas às grandes cidades, até porque o trabalho está mais remoto com o avanço da tecnologia e não mais restrito aos grandes centros.”

Apesar de alguns diferenciais de tecnologia, mobilidade e sustentabilidade, Marcelino aponta que o empreendimento não deixa de ser um bairro como outro qualquer, já que está dentro de um município e foi adquirido como uma área particular.

Expansão do projeto

Ainda sem a conclusão da obra, Susanna garante que a próxima cidade inteligente da Planet já está em andamento. “Será em uma cidade de mesmo nome, São Gonçalo do Amarante, mas localizada no Rio Grande do Norte.” Ela diz, porém, que não pode dar prazos para as construções, já que aguarda aprovação da prefeitura.

Segundo a executiva italiana, a ideia é criar dez cidades inteligentes no País nos próximos anos. Ela aposta que, com a expertise conquistada, as próximas obras serão mais rápidas e mais baratas.