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Um dos maiores problemas das empresas de saneamento básico são as grandes perdas hídricas provocadas por vazamentos em tubulações. Para enfrentar essa situação, a empreendedora Marília Lara, de Sorocaba (SP), criou a Stattus4, startup voltada para a gestão do serviço de distribuição de água em cidades. 

Após dois anos de desenvolvimento, em agosto de 2017, a empresa começou a implementar no mercado um dispositivo - baseado em inteligência artificial - para trazer maior precisão no processo de diagnóstico de problemas nos encanamentos das cidades.

O equipamento, que funciona como uma espécie de “ouvido biônico”, é composto por um sensor capaz de detectar, por meio de ruídos imperceptíveis à audição humana, vazamentos nas tubulações.

O sistema de inteligência artificial, que tem acesso a um banco de aúdios coletados pela startup, consegue distinguir por meio de comparações com parâmetros quais ruídos indicam, efetivamente, fissuras na tubulação. 

Segundo a empreendedora, para utilizar o dispositivo, o técnico deve primeiro encostar por 15 segundos o sensor num hidrômetro, o medidor de consumo de água nos imóveis. Após essa etapa, os dados registrados pelo equipamento são transferidos para uma nuvem e analisados pelo sistema.

“Caso tenha algum vazamento, o sistema indica a região com um alerta em vermelho e então o gestor consegue localizar mais rápido o problema”, diz Marília.

A Stattus4 presta serviços tanto para concessionárias de saneamento como para empresas de “caça vazamento”.

Atualmente, a tecnologia desenvolvida pela startup está sendo utilizada, em caráter piloto, por 15 empresas públicas e privadas, diz a empreendedora. Mesmo em fase de testes, esses clientes já pagam pelo serviço: a cada hidrômetro analisado, há cobrança de R$ 1,00. De acordo com Marília, são feitas, em média, cerca de 4 mil inspeções por mês.

Para Marcel Martins, gerente da consultoria especializada em saneamento básico Acqualis Engenharia Hídrica, a inovação pode ser uma saída para as concessionárias, tendo em vista que “as companhias no Brasil são muito deficitárias e usam aparelhos muito antigos”.

Além disso, ele afirma que o custo de um equipamento convencional para localizar um vazamento pode chegar a R$ 50 mil. Com isso, ele conclui que a tecnologia pode ser atraente para o mercado tanto no quesito de preço como pela agilidade do diagnóstico. 

Entre as autarquias públicas que utilizam o produto está o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Sorocaba. Segundo o responsável pelo departamento de controle de perdas, Geraldo Dias, o fato de o sistema detectar ruídos rapidamente, e sem interrupção ou interferência de barulhos externos, faz com que a tecnologia traga resultados mais eficientes e promova uma redução de custos.

“Geralmente, costumamos fazer [a vistoria] de noite por causa do silêncio. Com o equipamento, podemos realizar o trabalho de dia e não precisamos pagar hora extra [aos técnicos]”, declara Dias.