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(Texto atualizado para correção. A Grabr cobra 7% do preço do produto e não uma taxa fixa de US$ 20. A startup recebeu investimento de US$ 8 milhões em março de 2018 e não em maio de 2017. O Brasil ocupa 30% da distribuição de mercado da empresa, atrás apenas da Argentina e não dos EUA. A startup tem representantes em quatro países e não em todos os 120 em que atua. Segue abaixo a íntegra corrigida.)

Conectar interessados em comprar produtos de outros países e viajantes com espaço disponível na bagagem. Esta é a proposta da Grabr. A startup norte-americana criou uma plataforma de compra de importados no conceito de economia compartilhada, que pressupõe a colaboração entre as pessoas envolvidas.

O modelo da Grabr tem como característica a logística realizada por meio dos próprios usuários da plataforma. Assim como nos aplicativos Airbnb e Uber, um usuário oferece um serviço a outra pessoa dentro do ambiente virtual desenvolvido pela empresa.

O objetivo é facilitar o acesso a produtos que não são vendidos ou são caros demais em determinadas localidades. Além disso, a startup possibilita ao viajante que faz a entrega da mercadoria gerar receita estabelecendo taxas de entrega.

“Criamos uma nova maneira para as pessoas financiarem suas viagens internacionais enquanto fornecem um serviço necessário aos compradores”, diz a CEO da Grabr, Daria Rebenok.

Por meio de uma plataforma online, disponível em formato de aplicativo para celular, tablet e computador, a empresa facilita a conexão entre os interessados, oferece espaço para negociação e encomenda e proporciona garantia de pagamento para os acordos fechados nesse ambiente virtual.

A representante de marketing do escritório da Grabr no Brasil, Michele Chahin, explica que a ideia dos sócios quando criaram a startup era “atingir principalmente países com uma economia em desenvolvimento e que cobram muitos impostos para produtos importados”.

Segundo Michele, o Brasil ocupa 30% da distribuição de mercado da empresa, preenchendo a segunda posição mundial, atrás somente da Argentina. “Foram mais de 450 mil pedidos feitos no Brasil entre 2016 e 2017”, afirma.

A Graber fechou 2017 com faturamento aproximado de US$ 7 milhões. Em março de 2018, a startup recebeu investimento de US$ 8 milhões da Foundation Capital, fundo que já investiu em empresas como Netflix e Uber. 

Modelo de negócio

Dentro da plataforma, os usuários realizam um cadastro e podem tanto fazer pedidos quanto, se estiverem viajando, se oferecer para trazer encomendas. A plataforma promove a apresentação entre as pessoas e elas se conectam com base no que procuram.

A empresa cobra uma taxa de 7% do valor do produto. O restante do valor pago pelo comprador equivale ao preço do produto e a taxa de entrega do viajante que irá trazer o item.

O viajante define quanto cobrará a mais sobre o preço do produto. A taxa é negociável e varia de um viajante para outro. Segundo a startup, geralmente os usuários do aplicativo cobram sobretaxas maiores para itens volumosos e pesados.

Só incide imposto sobre a operação se o viajante ultrapassar o limite de isenção de US$ 500 estabelecido pela Receita Federal para compras no exterior. Por isso, recomenda-se que o comprador verifique antes com o viajante se este ainda está dentro da cota de isenção. Se a pessoa já tiver ultrapassado o teto, é importante verificar se o valor equivalente ao imposto será incluído no valor total da encomenda.

O gerente de serviços Allan Castellon utiliza o aplicativo da Grabr há alguns meses e avalia que a economia em alguns produtos vale a pena, mas em outros, nem tanto. “Televisores, por exemplo, que têm fabricação local, acabam saindo quase pelo mesmo preço”, diz.

O pagamento é todo feito através da plataforma para garantir que não haja problemas de fraude por ambas as partes. A empresa responsável pelo sistema de pagamento na plataforma é a Stripe, que desenvolve processos financeiros para negócios online.

“Primeiro o comprador paga e só depois que ele avisa pelo aplicativo que a mercadoria já foi recebida liberamos o pagamento para o viajante”, explica Michele.

Se o trato for descumprido e o viajante não trouxer o produto, o valor não é liberado na plataforma. O dinheiro, nestes casos, é devolvido ao comprador sem que haja prejuízo.

Para evitar que o produto encomendado venha errado, na própria plataforma o comprador pode pesquisar produtos nos sites das lojas e solicitá-los. O aplicativo oferece busca dos links exatos de cada produto, o que garante que a mercadoria entregue seja exatamente a mesma que foi solicitada.

Para o professor de empreendedorismo e pesquisador da FEI Edson Sadao, empresas  baseadas no conceito de economia compartilhada, como Uber e Airbnb, por exemplo, precisam ganhar credibilidade para atrair o consumidor e garantir que ele não esteja correndo riscos.

“Por se tratar de uma mediação entre duas pessoas, a empresa deve criar estratégias para garantir com toda certeza que o consumidor não será lesado”, explica.

Atuação

Criada em 2015 pelo casal russo Daria Rebenok e Artem Fedyaev, a empresa está presente em 120 países. A base de clientes inscritos na plataforma é de 400 mil usuários, entre compradores e viajantes.

No mesmo ano em que foi lançada, a plataforma já começou a ser usada por brasileiros. No entanto, a empresa passou a criar ações direcionadas ao público local somente dois anos depois.

A startup tem representantes em quatro dos 120 países em que atua. A sede global está localizada em São Francisco, nos EUA, mas a empresa trabalha em conexão com seus representantes internacionais.

A interação entre os escritórios globais é constante, por meio do Slack, uma plataforma de comunicação interna para empresas. “Temos mais três brasileiros trabalhando em São Francisco”, conta Michele.