Publicado em

Com mais de 300 empresas numa área de 171 hectares somente no centro de Recife, o parque tecnológico do Porto Digital tem o desafio de dobrar o número de profissionais em eu espaço nos próximos 6 anos, ou seja, ter mais de 20 mil pessoas trabalhando no local.

O foco é alavancar ainda mais o Produto Interno Bruto (PIB) local. Em 2018, as empresas do Porto Digital faturaram R$ 1,8 bilhão. O montante representou 6% da atividade econômica em Recife e 0,9% em Pernambuco.

Presidente do Porto Digital, Pierre Lucena explica que há três trabalhos a serem feitos para atingir o crescimento. “Formar muita gente, atrair empresas e gerar novos negócios de empreendedores”, explica.

Para isso, os executivos já estão trabalhando com parceiros da iniciativa privada. Segundo Lucena, neste ano, o Parque não recebeu nada do governo de Pernambuco. E a perspectiva continua a mesma para o futuro, destaca o gestor.

Considerado como o grande desafio, a falta de mão de obra será combatida com a formação de jovens dentro do próprio Porto Digital.

Por meio de um convênio com a Universidade Católica De Pernambuco e com a Universidade Tirandentes, serão ofertados cursos em áreas como games, ciência da computação e desenvolvimento de software.

Pierre Lucena, presidente do Porto Digital. (Foto: Divulgação)

Todos os estudantes vão trabalhar a partir do primeiro semestre nas empresas sediadas no parque tecnológico.

“O desemprego na nossa região está muito alto, mas se você tem mão de obra disponível, o serviço vai aparecer. A demanda é muito grande, até desproporcional”, afirma Lucena. Atualmente há cerca de 900 vagas em aberto no Porto Digital.

Para atrair as mulheres, ainda minoria absoluta nos cursos de tecnologia, o Porto Digital lançou no mês passado o programa Mulheres em Inovação, Negócios e Artes (MINAs).

A iniciativa prevê oficinas, qualificação tecnológica e empreendedora e apoio a reinserção profissional de mães. Para o último tópico, será entregue uma creche para que os filhos pequenos possam ficar próximos ao local de trabalho das mães.

Interesse

Lucena entende que quanto maior o número de grandes companhias no local e de startups instaladas no local com grandes resultados maior a atratividade do Parque.

Hoje, o espaço conta com 320 companhias. Metade deste número é formada por startups.

A Mr. Plot é um exemplo de sucesso no local, aponta Lucena. A startup faz animações para o público infantil no Youtube. O canal da empresa, Mundo Bita, supera 1 bilhão de visualizações.

Entre as empresas nascentes que faturam mais de R$ 100 milhões ao ano, o executivo destaca a empresa de tecnologia In Loco Media. O negócio figura na lista das brasileiras candidatas a unicórnio, ou seja, startup com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão.

Outros exemplos são a Tempest, que atua no mercado de cibersegurança e presta serviço para as aberturas de contas para o Bradesco. E a Neurotech, que utiliza a tecnologia de inteligência artificial para realizar previsões que facilitam as decisões de negócios.

Obras

Segundo o presidente do Porto Digital, ainda será fundamental revitalizar o centro da capital pernambucana para alcançar o número de 20 mil trabalhadores no local.

Lucena explica que o “centro antigo” de Recife passou por mudanças por conta do Porto Digital, mas o “centro novo”, muito próximo, está abandonado. “Lá está totalmente abandonado e o valor do aluguel é cerca de quatro vezes menor.”

Para atrair jovens ao local, será construído um co-living no local, com cerca de 60 apartamentos. A estrutura contará com espaços compartilhados para o lazer e trabalho. A expectativa é que esse empreendimento seja um “protótipo” e depois novos apareçam no local.