Publicado em

A Ride, startup paulistana de mobilidade urbana, surgiu da ideia de um trio de empreendedores que constatou a carência de opções para pequenos deslocamentos na maior cidade do país. Ao ver que nos Estados Unidos havia um nicho de mercado ocupado por patinetes elétricos compartilhados, ativados por meio de aplicativo, a equipe decidiu trazer a solução para o Brasil.

O projeto, ainda em testes, teve seu pré-lançamento no dia 12 de agosto na capital paulista. A ideia é fazer em breve o lançamento oficial, após o aval da Prefeitura. O aluguel custará R$ 0,50 por minuto. Por enquanto há 50 unidades disponíveis, mas o plano é contar com 300 nas ruas até outubro. A startup recomenda o uso para percursos de 2 a 3 km. 

O modelo do negócio é similar ao das bicicletas compartilhadas que podem ser retiradas e devolvidas em qualquer ponto, no sistema dockless (sem estação). O sistema da Ride é semi-dockless: os equipamentos podem ser deixados e retirados em pontos comerciais, por exemplo, para que não se tornem um obstáculo nas vias ou calçadas quando não estiverem em uso.

Para usar o patinete, o usuário desbloqueia o veículo pelo aplicativo. A ferramenta lê o código QR do equipamento e gera um número que libera a utilização. As cores dos veículos vão do negro ao azul, passando pelo cinza.

De acordo com o CEO e cofundador da Ride, Marcelo Loureiro, no exterior os patinetes já são uma constante para cobrir pequenos trajetos. “Morei mais de dez anos na Califórnia e vi o nascimento da Bird, uma empresa que foi a mercado em setembro de 2017. Naquele momento eu estava deixando uma empresa de bicicletas. Como estava ligado a essa área, pensei em inserir um veículo democrático aqui no Brasil, que a pessoa pudesse usar vestindo de tudo”, conta.

Em dezembro de 2017, voltando a São Paulo para tocar o projeto, Loureiro investiu recursos do próprio bolso para criar o aplicativo e importou protótipos e materiais da China para testes. No começo de 2018, juntou-se aos seus atuais sócios, Guilherme Freire e Paula Nader.

Em junho vieram os primeiros aportes de investidores anjos, que permitiram fazer ajustes e melhorias técnicas e logísticas, diz. “Estudei legislação de trânsito para saber onde era possível incluir os patinetes no tráfego. Descobri que ele é tratado como equipamento de mobilidade pessoal, podendo ser usado em ciclovias, ciclofaixas ou calçadas, em velocidade máxima de 6 km/h. Nas calçadas, essa velocidade fica nos 2 km/h.”

Ao examinar as diretrizes do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), os empreendedores chegaram à conclusão de que um sistema totalmente dockless não daria certo em um primeiro momento. “Por serem elétricos, têm de ser recarregados todas as noites, então montamos uma estratégia para recolhê-los ao final do dia. O usuário pode deixá-lo ao lado de um ponto comercial conveniado ao app, ou mapeamos o local em que o patinete for deixado para recolocá-lo no local de origem”, explica.

A partir daí a empresa buscou a Prefeitura e as regionais para discutir a implantação e a interação com outras modalidades usadas para pequenos deslocamentos, como as bicicletas. “Fizemos uma soltura devagar e em conjunto com as autoridades", diz Loureiro. "Ao mesmo tempo, nos aproximamos de inciativas privadas interessadas, que proporcionaram a colocação da frota em prédios empresariais.” 

“O interessante do modelo é que integramos vários locais diferentes de São Paulo. Queremos colocar os Rides nos principais parques e praças paulistanas até o final do ano, para o lazer da população, além de priorizar pontos de interesse turístico ou histórico da cidade, como a avenida Paulista e o Minhocão”, diz o CEO. 

Para fazer a realocação, a Ride fez uma parceria com uma empresa que gerencia bikes elétricas, que levarão os patinetes para um galpão. A cobertura está concentrada no trecho entre os bairros de Vila Olímpia e Pinheiros, mas, quando aumentar, a startup pretende criar um departamento de recolhimento. No momento, todos os pontos de retirada estão em edifícios comerciais da região. 

A proposta é que, após o uso de cada patinete, a equipe terceirizada busque o equipamento desgarrado em até 30 minutos, evitando transtornos para pedestres.

Com o crescimento da frota, o objetivo é aperfeiçoar a solução de maneira gradual. “Notamos que algumas experiências no exterior não deram certo, então estamos indo com cautela para ver como a cidade e a população reagem à novidade até chegar a um modelo ideal, que pode ser em 2019, 2020 ou 2030”, afirma a sócia Paula Nader.

Os empreendedores creem que o patinete oferecerá mais comodidade e amplitude à população, sem tirar público das bicicletas. “Não concorremos com elas. Na verdade complementamos as bikes. Vem para o patinete a pessoa que não pode suar ou se sujar. O nicho de ciclistas fica intacto. Esse talvez é o diferencial: ser democrático é dar uma nova opção”, diz Paula.

Concorrência à vista

Primeira a lançar uma frota de patinetes elétricos compartilhados em São Paulo, a Ride não estará sozinha no segmento. A Yellow, startup de bicicletas compartilhadas, também se prepara atuar com patinetes, com uma meta de 25 mil unidades até 2019.

Fundada pelos criadores da 99, a empresa lançou a operação das bikes no início de agosto, quando anunciou que pretende iniciar os testes com patinetes no mesmo mês. Pela proposta inicial, os equipamentos da Yellow também seriam acionados por meio de aplicativo e poderiam ser deixados nas calçadas.