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A gestora de investimentos SP Ventures prepara o lançamento de um fundo para investir em 20 startups do agronegócio, as chamadas agritechs. O objetivo é fazer aportes em empresas nascentes e participar da gestão delas até realizar a saída, ou seja, vender a participação, em um período de cerca de dez anos.

Este é o segundo fundo da gestora. Desta vez o foco não será apenas empresas nascentes brasileiras, mas de toda a América Latina. Em troca do aporte, os empreendedores deverão ceder, em média, 20% a 30% de participação. 

De acordo com o CEO da SP Ventures, Francisco Jardim, a gestora separa uma quantia para seguir investindo nas empresas que estiverem com melhor desempenho. “No primeiro fundo a média foi de R$ 4 milhões em cada startup, mas teve empresa que recebeu R$ 1 milhão e outras que receberam R$ 13 milhões.”

Além de ser uma startup voltada ao agronegócio, outra exigência para receber aporte da gestora é ter uma equipe de muita qualidade. Apesar de ser um clichê, Jardim garante que esse é o principal indicador para tomar a decisão do investimento. “Gastamos muito tempo com isso. É comum a gente demorar uns meses para fechar o negócio e nesse tempo vemos como eles performam”. O executivo diz que o fato de uma empresa ter passado por alguma das principais aceleradoras de negócios, como a Ace e a Baita, pode contar pontos.

Saídas

Em relação às saídas, ou seja, quando o investidor vende sua participação, Jardim acredita que a tendência é um grupo ou empresa maior comprar as agritechs. No entanto, ele vê uma lacuna em investidores maiores para esse tipo de startup.

“O maior desafio hoje não é a saída em si, mas sim a lacuna de investimentos até chegar numa boa saída”, diz. Apesar de defender que há uma revolução acontecendo no agronegócio por conta dessas empresas nascentes, Jardim afirma que faltam aportes na casa dos R$ 15 milhões para alavancar o crescimento dos empreendedores.

Uma saída de sucesso é aquela com retorno igual ou maior que dez vezes o investimento. O sucesso financeiro na venda de participação da gestora é fundamental para sua sobrevivência. “Ninguém ganha dinheiro com taxa”, afirma Jardim, referindo-se ao valor pago pelos investidores à gestora para a estruturação do fundo e acompanhamento dos investimentos.