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Formada por empreendedores de vários países que se juntaram durante uma maratona de desenvolvimento de softwares promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU), a plataforma digital Moeda terá US$ 1,5 milhão para emprestar recursos a 18 pequenos produtores rurais no Brasil. Os recursos foram levantados por meio de uma emissão de criptomoedas.

A startup de impacto social tem como proposta oferecer taxas de juros mais baixas e prazos de pagamento mais longos que a média praticada no mercado de crédito convencional. 

Isso porque a Moeda utiliza a tecnologia blockchain e opera no modelo peer-to-peer (P2P), ou seja, uma rede formada por conexões diretas entre vários participantes sem um intermediador central. Diferente do modelo tradicional de bancos e financeiras, esse sistema tende a propiciar taxas de juros mais baixas por não envolver a remuneração de um intermediário. A tecnologia blockchain também colabora para reduzir custos, por ser considerada mais eficiente e segura. 

A startup, porém, não revela as taxas e os prazos dessa primeira leva de operações de crédito. Segundo dados de dezembro do Banco Central, o prazo médio de pagamento nas operações de crédito rural no mercado em geral é de 23 meses, com cerca de 8,6% de juros ao ano.

Produtores beneficiados

O valor total de US$ 1,5 milhão será dividido entre várias operações, de acordo com as necessidades de cada negócio atendido. Os valores variam de US$ 6 mil a US$ 520 mil.

Os produtores receberão os financiamentos por meio de uma parceria entre a Moeda e uma organização não governamental chamada União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes).

Entre os exemplos de negócios selecionados estão a Cooperativa de Agricultura Familiar Vale do Itajaí, na cidade de Dona Emma (SC), que irá receber US$ 520 mil para a construção de uma bioindústria de produção agroecológica. O projeto beneficiará diretamente mais de 250 moradores locais, segundo a Moeda.

Outra contemplada é a Cooperativa de Agricultura Familiar de Lebon Regis, na cidade de Lebon Regis (SC), que terá US$ 205 mil para construir, equipar e fornecer capital de giro para uma panificadora que tem somente mulheres como proprietárias.

História

O esboço da Moeda surgiu em março de 2017 durante um hackaton promovido para buscar soluções para atingir os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. A startup foi fundada oficialmente no mês seguinte, por empreendedores de diferentes países, entre eles China, Estados Unidos e Brasil.

Para levantar funding - os recursos necessários para oferecer crédito -, os fundadores fizeram uma oferta inicial de criptomoeda (ICO, na sigla em inglês) denominada como MDA. A operação vendeu 20 milhões de MDAs com valor unitário de US$ 1. A oferta foi feita por meio da plataforma Etherum, que, além de ter uma criptomoeda própria, também atua com ferramentas de blockchain.

Após levantar o capital desejado, os empreendedores utilizaram boa parte dos recursos para criar um fundo com foco em projetos sustentáveis. Os investidores que compraram MDAs terão acesso aos projetos investidos no momento e também aos próximos, que deverão se expandir além de empreendimentos na área rural.

Os detentores de MDA também terão a possibilidade de negociá-las em exchanges (casas de câmbio online focadas em negociação de criptomoedas) internacionais, como a Binance.