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A Soulphia criou uma plataforma online de aulas de inglês que tem como professoras moradoras de abrigos nos Estados Unidos. Ou seja, a startup capacita e cria oportunidade de reinserção no mercado para mulheres sem emprego e moradia própria. A tecnologia do site é semelhante à do Skype e permite que os estudantes conversem com as educadoras por meio de chamadas de voz e vídeo. São oferecidos encontros virtuais semanais e personalizados conforme o interesse do aluno, como viagens, cultura ou trabalho.

Foi dessa forma que a empresa conseguiu criar um projeto de impacto social rentável, explica o cofundador Tiago Souza. Cada aula, com cerca de 45 minutos, pode custar entre R$ 40 e R$ 60, conforme a especificidade do conteúdo. As tutoras, como as professoras são chamadas, ganham US$ 10 por aula e o restante do valor fica para a Soulphia.

Para não ficar exposta à volatilidade do dólar, já que o curso é pago em reais e toda a operação financeira é realizada nos EUA, a startup fez uma parceria com a qual consegue estabelecer um valor de câmbio fixo, tendo, desse modo, um ganho estável.  

“Além de a proposta ser um atrativo, o baixo preço dos serviços também é um ponto positivo. Nossas colaboradoras, devido a suas condições sociais, cobram mais barato do que outras professoras formadas e experientes”, diz Souza.

A startup optou por ter mulheres como tutoras porque, pela experiência adquirida ao longo do projeto, elas se mostram mais interessadas pela reinserção no mercado e por se manter por mais tempo ligadas à Soulphia. Além disso, a empresa também tenta diminuir a desigualdade de gêneros na oferta de trabalho.

Mesmo que as colaboradoras não tenham graduação ou experiência na área da educação, o cofundador explica que a qualidade do curso não é afetada. “Além de elas viverem a realidade cultural do país, a educação básica americana oferece o que elas precisam para ensinar inglês, como boa comunicação, por exemplo.”

Atualmente, a startup conta com 25 tutoras. Destas, cinco são funcionárias e as demais são prestadoras de serviços, ou seja, dão aulas quando há demanda. A quantidade de encontros virtuais semanais varia de acordo com o usuário. Atualmente, são cerca de 300 alunos. O número inclui brasileiros que vivem no Brasil ou nos EUA, chilenos, colombianos, argentinos e chineses.

Os clientes entram na plataforma para agendar e fazer as aulas, que são 100% online, com as tutoras. Ainda ficam disponíveis atividades para serem realizadas antes e depois da conversação. Dependendo da necessidade e interesse do aluno, o site também oferece vídeos, artigos e outros materiais de apoio que podem ser usados durante a aprendizagem.

A startup com sede em Nova York, nos Estados Unidos, tem entre seus fundadores dois brasileiros, Souza e Felipe Marinho. Os outros dois sócios, Mark Dingle e Julio Dhers, são americanos. A plataforma foi lançada em março de 2018, mas a empresa existe desde julho de 2017. O projeto piloto, que aconteceu entre outubro e dezembro de 2017, teve a colaboração da Columbia University, parceira da companhia.

“A parceria foi importante para a construção da nossa metodologia de ensino e, no início, para entender o processo de criar uma empresa no segmento social em um país diferente”, avalia Souza. Hoje a Soulphia também é parceira da Bill & Melinda Gates Foundation, instituição filantrópica de Bill Gates, fundador da Microsoft, que ajuda empresas de impacto social a crescer.

A colaboração começou neste ano e a previsão é que dure cinco anos. “Eles nos contataram porque tinham achado interessante a nossa proposta. Designaram um time para nos ajudar a desenvolver novos métodos de ensino e questões tecnológicas”, diz Souza.

Desde sua fundação, a Soulphia teve investimentos próprios dos sócios de aproximadamente US$ 100 mil. O cofundador diz que a startup atraiu 300 alunos em menos de seis meses porque os próprios usuários da plataforma fazem a divulgação. “Foi dessa maneira que conseguimos alunos fora do Brasil também.”

Para os próximos cinco anos, a startup projeta atender um milhão de clientes e oferecer trabalho para cerca de 100 mil moradoras de abrigos. Isso porque os sócios pensam em tornar a startup uma opção de conversação de escolas físicas de inglês no Brasil, ou seja, uma extensão e complemento dos cursos já oferecidos. “Também estamos negociando com grandes corporações que oferecem este curso para seus funcionários para contratar nossos serviços."