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A Treevia utiliza internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) para dimensionar e monitorar o crescimento de florestas. Para isso, instala sensores em campo que captam dados e os transmite em tempo real para uma plataforma digital. Ao associar os dados com informações climáticas de cada região, é possível projetar quanto uma área vai render de matéria-prima, como madeira e celulose, nos próximos anos.

Criada em 2016 pelos sócios Esthevan Gasparoto, Emily Shinzato e Maycow Berbert, a startup foi incubada no Parque Tecnológico de São José dos Campos (SP), onde fica sua sede. Hoje, atua em São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraná, e planeja expandir a operação para mais cinco Estados ainda em 2018.

Entre seus clientes estão as empresas Klabin e Suzano e outras companhias do segmento de papel e celulose, além de empresas de carvão, siderúrgicas e produtores rurais.

Os dados coletados são importantes para as companhias que utilizam materiais florestais no processo de produção porque o investimento no setor é de longo prazo, diz o cofundador e CEO, Esthevan Gasparoto. “Algumas árvores têm ciclos que levam mais de 20 anos e, ao longo desse período, o cliente precisa saber o desenvolvimento do seu material e o quanto o seu investimento está rendendo”, explica.

Para o engenheiro agrônomo Sérgio Marcus Barbosa, gerente executivo da EsalqTec, incubadora tecnológica da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), ainda são poucas as empresas de tecnologia voltadas para o segmento florestal. “A procura deve continuar crescendo. As startups precisam enxergar as oportunidades”, diz.

O segmento é um dos que mais exportam e, portanto, bom para empreender, observa o especialista. Atualmente, o Brasil é o terceiro maior exportador de celulose no mundo, segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

“A demanda por celulose está cada vez maior. O clima brasileiro é extremamente propício. Além disso, as florestas podem ser plantadas em áreas agrícolas degradas ou de difícil acesso, garantindo renda para produtores ou empresas do setor”, diz Barbosa.

Tecnologia

A monitoração do desenvolvimento das florestas é feita com a medição do diâmetro das árvores. Tanto em processos automatizados, como o oferecido pela Treevia, quanto em execuções manuais, as árvores são escolhidas de forma amostral, ou seja, diferentes pontos do campo são acompanhados.

Hoje, muitas das empresas que monitoram florestas produtivas fazem o processo manualmente, usando fitas métricas ao invés de sensores. Só que, desse modo, é necessário dispor de uma equipe extensa, que leva horas percorrendo o local e medindo as amostras.

A startup tem uma equipe de instalação de sensores, mas, como a coleta de dados é automatizada, o número de colaboradores é menor e o tempo de execução é mais rápido. Geralmente, a Treevia instala um equipamento a cada hectare.

Além de IoT, o sistema envolve inteligência artificial, uma vez que a startup utiliza algoritmos de machine learning para processar os inventários florestais, e Big Data, para cruzar dados coletados em campo com informações climáticas. As informações ficam em nuvem e o cliente pode acessá-las por meio de computador ou qualquer dispositivo móvel com acesso à internet.

Trajetória

Desde a fundação, a empresa recebeu cerca de R$ 3 milhões em investimentos, entre recursos próprios e de terceiros. Em 2016, antes de o sistema ser lançado, atraiu R$ 100 mil do Santander. Em 2017, fechou uma parceria com a Samsung e, em troca de um aporte de valor não informado, passou a comercializar em seu site o tablet da marca.

Atualmente, participa de um ciclo de aceleração de negócios na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que inclui um aporte de valor não revelado.

A Treevia não informa o faturamento, mas espera ampliar a cobertura de serviços nos próximos anos. O plano é começar a expandir a operação para a América Latina no segundo semestre de 2019.