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(Texto atualizado em 14/05 para correção. A Yellow planeja colocar suas bicicletas nas ruas a partir de julho e não junho. Segue abaixo a íntegra corrigida.) 

A Yellow, startup brasileira de compartilhamento de bicicletas, prepara-se para iniciar suas operações a partir de julho, em São Paulo, com 20 mil unidades. A empresa é uma das quatro já autorizadas pela Prefeitura a atuar no modelo dockless (sem ponto fixo para retirada e devolução). O plano da startup é, no médio prazo, chegar a 100 mil bikes, e mais adiante expandir a operação para 30 grandes cidades no País. 

Por meio de um aplicativo no celular, o usuário localiza a bicicleta mais próxima, destrava o veículo e, no fim do percurso, faz o pagamento e trava a magrela novamente, deixando-a em qualquer lugar da cidade. É diferente do modelo já existente na capital paulista, o Bike Sampa, do Itaú Unibanco, que opera com estações fixas para retirada e devolução. 

A Yellow foi fundada em junho de 2017 por Ariel Lambrecht e Renato Freitas, criadores da 99, e Eduardo Musa, ex-CEO da Caloi. Já com esse histórico na área de mobilidade urbana, os empreendedores querem desenvolver a experiência de bikes compartilhadas em São Paulo para, depois, levar o modelo para outras metrópoles.

“Escolhemos São Paulo para começar porque é uma das cidades mais complexas do mundo em termos de mobilidade urbana. Nosso objetivo é implementar primeiro aqui, inclusive na periferia, testar o modelo e migrar a operação para outros grandes centros”, diz Musa, CEO da Yellow.   

A prioridade na expansão será dada a municípios carentes de alternativas aos carros. “Naturalmente, (a expansão) ocorrerá em cidades com potencial de escala, problemáticas de transporte público e cuja geografia nos permita operar de forma eficiente”, afirma.

Um dos objetivos é superar a carência de alternativas à locomoção em distâncias curtas, como, por exemplo, de pontos de ônibus e metrô ao trabalho ou residência dos cidadãos.

Musa reforça as razões para o nome da empresa. “Amarelo é a cor da mobilidade. Além disso, é uma cor que chama a atenção, garantindo uma boa visibilidade para as bikes da marca. O nome também é de fácil pronúncia e boa familiaridade e identificação com o público”, diz.

Com aporte inicial de R$ 9 milhões, a companhia investiu em logística para cobrir todo o município. Atendendo a exigências do programa, a frota terá monitoramento por GPS para que o usuário encontre a magrela mais próxima. O sistema de dados, com chips e localizadores, ficará na parte interna do veículo, evitando possíveis danos, roubos ou sabotagens. 

Como medida preventiva a depredações, todas as bikes serão desenvolvidas com baixo valor agregado, excluindo marchas e câmaras de ar, além de equipar o chassi com selim travado, o que dificulta o furto.

Para que a distribuição de bicicletas seja racional, haverá constante fiscalização nas vias, diz Musa. “Contaremos com um processo de ‘patrulha’ periódica, acontecendo todos os dias da semana. Basicamente teremos equipes rodando pela cidade, mapeando bicicletas para organizá-las, redistribuí-las estrategicamente e as retirar para manutenção quando necessário. Desta forma, conseguiremos contribuir para um melhor posicionamento dos veículos”, afirma. 

Planejamento

A Prefeitura de São Paulo, em parceria com quatro startups do setor, colocará 80 mil bicicletas à disposição do paulistano a partir de julho.

Além da Yellow, o programa contará com a chinesa Mobike e com as brasileiras Sttek e Trunfo (que pertence à Bradesco Seguros).

Prefeitura e empresas ainda estabelecerão detalhes das tarifas. A ideia é que seja menor do que a metade das tarifas de ônibus, trens e metrôs (atualmente em R$ 4,00). Em países como a China, que já conta com o sistema, o serviço custa em torno de R$ 0,60 a corrida. A novidade também terá integração com o Bilhete Único Metropolitano e aceitará cartões de débito/crédito para o pagamento.

Por causa das calçadas irregulares e estreitas, haverá restrições e multas àqueles que deixarem as bicicletas em locais proibidos ou que atrapalhem pedestres. Para estimular a boa conduta, o bom ciclista terá direito a descontos e vantagens se deixá-las em locais apropriados.