Publicado em

A difusão de aplicativos digitais e as inovações tecnológicas têm impulsionado o setor de pagamentos no Brasil. Como resultado, o uso de cartões no Brasil cresceu 14,5% e atingiu R$ 1,55 trilhão em compras em 2018, o equivalente a 22,8% do PIB (Produto Interno Bruto), informa a Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços).

As compras online representam um bom percentual das operações realizadas com cartão. O segmento registrou avanço de 18,4%, para R$ 198,2 bilhões, o que representa uma fatia de 20% de todos os gastos com cartão de crédito. Muitas destas compras são realizadas por dispositivos móveis, por isso, o uso de smartphone se destaca no desenvolvimento do segmento. O Brasil tem hoje dois dispositivos digitais por habitante, incluindo smartphones, computadores, notebooks e tablets, revela a 30ª Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas, realizada pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP).

É por isso que muitas pesquisas indicam que, em curto prazo, todas as apostas estão voltadas ao celular ou, mais especificamente, aos smartphones. São eles que encabeçarão a nova era dos sistemas de pagamento, uma vez que as plataformas voltadas a esses dispositivos permitem tal empreitada e suas vendas estão em franco crescimento.

Esses dados sinalizam a mudança de perfil do brasileiro, que tinha por hábito pagar a maioria de suas contas com dinheiro, conforme pesquisa do Banco Central, divulgada no ano passado. “A aceleração do processo de digitalização ajudou neste resultado”, comenta Percival Jatoba, coordenador do comitê de transformação digital da Abecs. Para ele, as constantes inovações apresentadas pelas empresas do setor contribuem para a construção de um ecossistema competitivo, eficiente, seguro e inclusivo acerca do tema.

A expectativa é de que os pagamentos com cartão cresçam 16% em 2019. Só o cartão de crédito deve representar R$ 1,12 trilhão, com aumento de 15,9%, estima a entidade. Tudo depende, claro, da economia.

Mercado aquecido

Com perspectivas positivas, novos players entram na disputa por estes clientes todos os dias, impulsionando para o cenário nacional diversas fintechs. As empresas tradicionais do segmento também se mobilizam.

A Visa, por exemplo, está desenvolvendo um método que coloca as fabricantes de bens de consumo dentro do ecossistema dos pagamentos eletrônicos. Usando inteligência de dados e geolocalização, possibilita a segmentação de ofertas conforme o perfil do consumidor e o envio de comunicados no momento mais adequado para a compra. A SafraPay tem apostado em plano de expansão com a abertura para empreendedores individuais, micro e pequenos empresários.

Esta também é a aposta do LiftBank. O público alvo do LiftBank são as micro, pequenas e médias empresas. Com foco em estabelecimentos que atuam com vendas no varejo e atacado, porém está apta a atender qualquer tipo e tamanho e empresa. A plataforma foi criada pelos executivos Victor Farias, fundador e ex-CEO da Pag!; Alexandre Soares, ex-CFO da Wine; e Deivid Bitti, ex-Head de Segurança da Informação da Vale. Os três se uniram para desenvolver não só uma Fintech, ou seja, uma empresa ligada a área financeira, mas para criar uma empresa que promete mudar o mercado de pagamentos e de contas digitais, já que até então não havia uma plataforma exclusiva para empresas.

A fintech é volta exclusivamente para contas jurídicas e já nasce com uma série de serviços financeiros, entre eles, maquininha de cartão, depósitos, pagamentos, a função débito e crédito no cartão de bandeira MasterCard, entre outros.

O CEO da empresa, Victor Farias, aponta que a ideia do LiftBank é oferecer uma série de serviços e produtos que possam agregar valor e facilitar o dia a dia do empreendedor. “O grande diferencial de ser uma plataforma financeira voltada exclusivamente para as empresas e empreendedores, é que você investe 100% do tempo pensando em soluções para esse público, que tem características muito distintas das pessoas físicas”, afirma ele.

“Nossa meta é alcançar todos os níveis de empreendedores, desde aquele microempreendedor que vende pastel na praia e precisa receber seu dinheiro através de uma maquininha de cartão, transferir dinheiro para seu funcionário de forma ágil e fácil através do aplicativo, comprar sua matéria prima, até empresas maiores que entendem como as novas tecnologias e soluções podem agregar valor ao seu dia a dia”, explica Farias.

Base da pirâmide

Já a fintech do banco Santander, a Superdigital, está de olho na população da base da pirâmide, que geralmente tem mais dificuldade para acesso ao crédito. Para conquistar esse público, a empresa lançou um novo aplicativo, mais fácil de usar, com foco na inclusão financeira. “Nosso foco está em pessoas que têm dinheiro, mas não têm conta em banco — chamadas de desbancarizadas”, comenta Ezequiel Archipretre, CEO da Superdigital. No Brasil, são 50 milhões de cidadãos não bancarizados. Na América Latina, são mais de 200 milhões.

A estratégia deu tão certo que agora o Santander vai levar sua conta digital a sete países da América Latina. Segundo Archipretre, o objetivo da Superdigital é atender 5 milhões de clientes na América Latina até 2023. No Brasil, a fintech deve chegar a 500 mil clientes ativos até o final do ano. Até hoje, 1 milhão de usuários já fizeram uso da plataforma, que tem como foco a inclusão financeira. “Queremos reduzir o número de desbancarizados, tanto no Brasil, quanto na América Latina”, diz o CEO.

Consumidores digitais

Outra empresa que está entrando no mercado físico de adquirência no Brasil é a Adyen. A estratégia faz parte da campanha global da empresa holandesa para ampliar a rede de clientes e as vendas, movimento que acirra ainda mais a competição no já disputado mercado doméstico de meios eletrônicos de pagamentos.

A ofensiva mostra a Adyen, especializada em comércio eletrônico e dona de uma carteira de clientes globais como Netflix, Facebook, eBay e Uber, indo na contramão da maioria das processadoras no país, que entraram primeiro no varejo físico para depois entrar no online.

Segundo o presidente da Adyen para a América Latina, Jean Christian Mies, a decisão de passar a operar com as chamadas maquininhas a partir deste mês levou em conta pedidos de varejistas com operações tanto físicas quanto online.

Um dos principais objetivos de integrar plataforma física e online é evitar desistência de compras quando há produto em falta no estoque. Segundo Mies, com o novo sistema clientes também poderão comprar online e buscar o produto nas lojas físicas ou vice-versa, sem precisar de novos cadastros.