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Para o presidente do Conselho de Administração da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), Eduardo Amaro, a evolução na saúde já é palpável e um caminho sem volta. Ele também avalia que, para o bom desenvolvimento do setor, o engajamento dos profissionais é fundamental.

O Conahp chegou a sua 6ª edição. Qual o principal legado que este encontro deixa para a categoria?

O Conahp definitivamente entrou para o calendário dos principais eventos de saúde. O Congresso é reconhecido pela qualidade da programação científica, o alto nível das discussões e dos participantes. Tenho certeza que após cada edição do Congresso, saímos dali com novas percepções, novos desafios e com diferentes perspectivas sobre o setor. O Conahp deixa como legado a possibilidade de integração de todo o setor em busca de um objetivo comum, a transformação do sistema de saúde.

O evento contou com a presença de vários destaques internacionais. Qual é a principal expertise que o Brasil pode aprender com estes palestrantes?

Grande parte dos palestrantes que nós reunimos no Congresso trazem alguma experiência relacionada ao tema principal do Conahp, que é eficiência. Entendemos que todas as iniciativas que possam contribuir para o nosso sistema de saúde são bem vindas, desde modelos assistenciais, tecnologias, modelos de pagamento, enfim, o nosso objetivo principal é discutir os problemas relacionados à ineficiência, desperdício, entender o como mundo tem tratado essas questões e buscar alternativas para reverter ou pelo menos amenizar os impactos no setor.

Eficiência e combate ao desperdício foram dois temas muito presentes nesta edição. Qual foi o motivo?

Esses são temas muito discutidos no mundo atualmente. A própria OMS divulgou um estudo ano passado bastante impactante sobre os números do setor. Além disso, nós temos consciência de que o nosso sistema de saúde é ineficiente em vários aspectos, tanto o setor público quanto privado. Hoje, no Brasil, não há um registro único de saúde do paciente, o que muitas vezes estimula a duplicidade; não há um investimento e organização na atenção primária, o que resolveria grande parte do acesso desestruturado ao sistema; o hospital ainda é a porta de acesso ao sistema, consequência dessa desorganização do setor, entre outros

O Conahp contou ainda com um pré-evento especial para debater metodologias que podem ser aplicadas no dia a dia das instituições hospitalares, como Cuidados Paliativos, Design Thinking e Lean.

Essas metodologias podem auxiliar qualquer profissional, na verdade. Não há uma restrição para que apenas médicos participem. Elas trazem de alguma forma alternativas eficientes que podem ser aplicadas no dia a dia das organizações. Todas elas têm como essência a melhoria da eficiência e de processos.

Educação: o que esperar para o futuro dos profissionais da área da saúde?

Precisamos repensar a formação dos profissionais da área da saúde de forma geral. Precisamos trazer mais gestão para o currículo das universidades, precisamos falar de inovação, das necessidades do novo paciente, que é muito mais antenado e preocupado com a sua saúde, precisamos falar de modelos assistenciais, de remuneração, de sistema com mais profundidade. Isso é importante para que esse profissional entenda os desafios e as novas necessidade de um setor extremamente complexo e regulado.

As startups estão revolucionando a forma de fazer negócios e de relacionamento com clientes em diversas frentes. Na área da saúde, quais são as principais transformações que elas implementaram?

Este ano, a Anahp apostou na inovação e criou um espaço dedicado a conhecer soluções para saúde desenvolvidas por startups. O resultado foi muito interessante, tivemos a oportunidade de conhecer vários projetos, que certamente contribuem para a eficiência do setor, como celeridade e mais precisão em diagnósticos, telemedicina para casos específicos, etc.

De que forma a Transformação Digital está reinventando a operação e a administração na saúde?

A telemedicina, a inteligência artificial, IoT, prontuário eletrônico, e tantas outras evoluções no âmbito da transformação digital tem modificado não só a operação e a administração na saúde, mas a maneira de se pensar em saúde. A medicina do futuro permite diagnósticos cada vez mais precisos e tratamentos personalizados. Aplicativos monitoram sinais vitais e emitem diagnósticos simples, os profissionais da saúde têm amplo acesso a dados sobre o estado físico dos pacientes, que já conseguem saber quais doenças terão ao longo da vida e podem tratá-las de acordo com as especificidades dos seus genes. Essa evolução é palpável e um caminho sem volta.

As responsabilidades relativas à proteção e confidencialidade dos Dados Pessoais dos pacientes sempre foi prática ética e inerente a muitas instituições de Saúde. Essas informações agora também estão na mira da nova legislação sobre Proteção de Dados Pessoais, sancionada pelo governo neste ano. Na prática, como está ocorrendo a implementação destas medidas pelos profissionais e empresas de saúde?

A segurança da informação é uma preocupação dos hospitais e do sistema de saúde como um todo, e a Lei veio para contribuir com a garantia dessa segurança da informação do paciente. Um ponto de destaque em relação à Lei é a garantia de que o paciente terá acesso as suas informações de forma clara e segura

De que forma é possível alinhar a gestão de pessoas à estratégia das organizações, proporcionando ganhos de eficiência e qualidade para o paciente?

Há várias alternativas com foco na gestão pessoas que podem proporcionar ganhos de eficiência e qualidade para o paciente, mas na minha opinião o engajamento dos profissionais é fundamental, o que também impacta na assistência, na segurança do paciente e nos resultados financeiros das organizações.