Publicado em

Vistas como uma tendência crescente dentro do franchising nos último anos, as microfranquias têm aumentado sua participação no mercado. O segmento tem ganhado tanta força que conquistou até um espaço exclusivo dedicado ao tema, pela primeira vez, durante a Feira da Associação Brasileira de Franchising (ABF), que acontece nesta semana em São Paulo.

Com um investimento inicial abaixo dos R$ 80 mil, a procura por esse tipo de oportunidade de negócio salta aos olhos dos investidores que buscam, muitas vezes, sua primeira experiência com um negócio próprio. Vale lembrar, contudo, que uma franquia tradicional ou uma micro tem em si a mesma essência do franchising e o relacionamento entre franqueados e franqueadores obedecem as mesmas regras.

Os modelos mais enxutos apenas tem a vantagem de um investimento inicial menor e por consequência, um payback mais rápido e instalação e operação simplificadas quando comparadas aos modelos tradicionais. Tanto que grande parte das micro e nano franquias podem ser operadas no modelo home-office e mesmo as unidades físicas podem ser operadas somente pelo próprio franqueado sem a necessidade de funcionários.

O segmento recebeu, inclusive, atenção especial da ABF neste ano, que lançou um estudo sobre as microfranquias. Segundo o levantamento da associação, em 2016, operavam no País 557 marcas com unidades de microfranquia, seja de forma exclusiva ou de forma paralela ao modelo tradicional. Deste universo, 79,8% atuam exclusivamente com microfranquias e 20,2% operam com ambos os formatos: tradicional e microfranquia.

Dentre as redes que ainda não operam com o modelo cujo investimento inicial é de até R$ 80 mil, 36% declararam pretender desenvolvê-lo nos próximos anos. Já dentre as franqueadoras que operam negócios nos dois formatos, 42% das unidades são microfranquias. O estudo indica que 31% das redes exclusivamente de microfranquias possuem acima de 100 unidades e 25% têm menos de dez.

Esse setor de microfranquia vem crescendo e se amadurecendo. “As pessoas que buscam na microfranquia uma oportunidade de investimento. Em muitos casos, é uma forma de se recolocar no mercado de trabalho, principalmente nos últimos anos, em que tivemos uma aumento grande da taxa de desemprego”, comenta. Ana Vecchi, CEO da Ana Vecchi Business Consulting, consultoria de gestão de negócios.

Serviços

Dentre o segmento de microfranquia, os que mais tem ganhado destaque são as de serviço. “Já que não precisa de estoque, só precisa de um ponto de venda, é mais barato é mais fácil, e por isso elas ganharam destaque”, comenta Ana. Mas, justamente por se tratar de serviço, um dos grandes aperfeiçoamentos pelo qual o setor teve que passar foi o auxílio que os franqueadores tiveram que aprender a fornecer aos franqueados quanto à contratação da mão-de-bra. “Só que existe uma carência de profissionais qualificados no mercado, de técnicos e de bons prestadores de serviço, das mais variadas áreas. Se enquanto cliente sentimos dificuldade de encontrar este profissional, imagine para os franqueados que passaram a buscar por estes profissionais em escalas mais elevadas. Não foi fácil”, comenta a consultora.

“Só que na venda desses unidades, foi gerada uma demanda e uma expectativa em cima da facilidade de venda de serviços e prestação destes serviços de uma mão-de-obra que os franqueados não tinha”, pontua.

“O processo de amadurecimento foi em perceber essas demandas e auxiliar o franqueado na formação desse quadro de prestadores de serviços”, comenta Ana Vecchi.

Home-office

Outras das facilidades da microfranquia é que, de modo geral, os espaços físicos necessários para abrigar a unidade. Em algumas redes, o empreendedor pode até mesmo trabalhar de casa. É o caso da protect Soluções, franquia especializada em soluções de gestão e seguros para micro, pequenas e médias empresas. Criada em 2015, a rede possui cinco unidades franqueadas. A marca atua com 40 parceiros para oferecer seguros e planos de saúde para os clientes. “Ele só precisa se comprometer o responsável técnico da sua corretora, se obriga, em 12 meses, a se tornar um corretor”, explica Richard Freitas, sócio-diretor da protect Soluções.

Hobbies lucrativos

Identificar-se com o perfil da empreendimento que se quer investir é essencial para o sucesso do negócio, garantem os especialistas. Por isso mesmo, a seleção dos candidatos é criteriosa para a World Study, franquia de intercâmbio.

De acordo com Marcelo Cansini, fundador da World Study, o perfil do franqueado tem de ser o de quem tem acesso ao mundo, conhecimento em outras línguas, e que tenha feito intercâmbio. “O perfil de pessoas que tem nos procurado são pessoas que cansaram de trabalhar em empresas e querem ter o próprio negócio, mas isto não deixa de ser um negócio”, pontua o fundador. “ Somos bastante seletivos na pessoa que escolhemos, porque é um serviço muito especializado. Tomamos cuidado com o perfil de franqueado que irá participar da rede, porque mais o que parceiros, ele também é responsável pelo sucesso do negócio” diz.