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Uma das primeiras redes de franquia criada no Brasil foi justamente do segmento de educação. Em 1954, a Yázigi fechou sua primeira licença para que uma escola de idiomas usasse seu método de ensino. Em 1966, a empresa adotou o sistema de professores associados, o embrião do modelo de franchising.

De lá para cá, muitos novos processos, metodologias e segmentos foram incluídos no setor de franquias, mas o segmento de educação segue se destacando.

Um dos motivos é a eficiência de performance do segmento, independente do momento econômico do País. Isto porque, quando a economia vai bem, os profissionais podem investir para melhorar sua capacitação, aprender novos idiomas, ou fazer uma especialização para assim angariar novos postos em seu plano de carreira. Já nos momentos de crise, investir na educação é uma alternativa para se destacar no mercado de trabalho ou mesmo manter o emprego. Afinal, a oferta de profissionais capacitados disponíveis aumenta, e com isso as empresas têm mais opções de profissionais disputando cada vaga disponível.

Quem apostou no segmento garante que há muitas outras vantagens. Andre Belz, sócio franqueador da Rockfeller, empresa que completa quinze anos neste mês, pontua que, além da alta lucratividade, é um negócio que oferece qualidade de vida para os franqueados. “Por conta do calendário letivo, é possível se programar para tirar férias e não trabalhar aos finais de semana”, observa.

Sobre a lucratividade, Belz pontua a vantagem da receita recorrente. “Eu não preciso vender o mesmo produto para a mesma pessoa ou para pessoas diferentes todos os dias. Quando o aluno faz a matrícula, eu sei que posso contar com aquela rentabilidade durante o período letivo”, observa o executivo que diz já ter passado por três grandes crises no Brasil. “2001, 2008 e 2014 foram anos difíceis, mas, mesmo neste período, não houve estagnação para o setor educacional”, ressalta Belz. A Rockfeller possui atualmente 47 unidades operando em todas as regiões do País, mas já tem 12 contratos assinados para abertura até o final deste ano, quatro delas entram em operação nos próximos dias. “Só nos últimos seis meses, nosso crescimento em número de unidades foi de 34%”, diz. “Em termos de matrícula, crescemos 40% no primeiro trimestre deste ano, no comparativo com o mesmo período de 2018”, complementa.

Perfil

O sócio-fundador da Rockfeller comenta que cerca de 90% dos franqueados são pessoas que já tinham algum vínculo com a área de educação e de idiomas antes de adquirir a franquia. “Era professor, funcionário de uma escola de idioma, amigo ou familiar de alguém que já é dono de escola de inglês. E, como já acompanham a rentabilidade e estão acostumados com a rotina, optam por investir no setor”, conta.

Mais do que qualidade de vida, investir em educação é ter como missão de vida deixar um legado, complementa Rafael Mangini, diretor de marketing da Maple Bear, operação brasileira da escola bilíngue canadense que funciona por meio de franquias. “Os investidores se identificam com o segmento da educação. As pessoas querem investir em algo que, de fato, traga um bem ao seu entorno, que faça diferença na vida de outras pessoas”, comenta.

A Maple Bear aposta num modelo que ainda não é muito explorado – em relação ao número de marcas existentes como ocorre com as redes de idiomas e cursos livres/capacitação – que é o de ensino regular. “Somos a primeira rede a franquear o ensino infantil, fundamental e médio. E, como geralmente quem conhece nossa metodologia não troca facilmente de escola, temos uma relação longa com cada aluno”, ressalta. Quem adquire uma unidade da rede, tem o direito de lecionar nas três searas. “O mais comum é começar com o ensino infantil, pois o franqueado já vai formando o seu público para as etapas seguintes”, diz o diretor.

Em 2006, o Brasil foi um dos primeiros países a adotar a rede, que hoje está presente em 17 países. Hoje, são 120 escolas em operação e cerca de 25 mil alunos. Há 65 unidades em processo de implementação. “Estamos presente em todas as capitais estaduais, com exceção de Macapá. Nosso horizonte é chegar a 300 escolas em operação até 2023”, diz Mangini.

Cursos profissionalizantes

Os cursos rápidos de capacitação também têm apresentado boa performance. A MoveEdu, por exemplo, registrou crescimento orgânico de 25% e de 45% com suas sete marcas no ano passado, faturou R$ 600 milhões de reais e, hoje, tem cerca de 500 mil alunos ativos e 1.200 franquias das marcas espalhadas pelo Brasil. Para este ano, a projeção da rede é crescer 23%. “A meta é fechar o ano com mais 100 unidades”, conta Rogério Gabriel, presidente e fundador da MoveEdu.

Na expectativa para o longo prazo, a MoveEdu pretende, até 2023, transformar a vida de 4 milhões de alunos. “Isso contabilizando os alunos que passarem pelo nosso sistema do ano passado até esta data”, adianta Gabriel. Segundo ele, o segredo para crescer é a metodologia adotada pelas suas marcas. “Utilizamos o ensino híbrido, que une o melhor da tecnologia da educação, como aulas digitais interativas e ensino inteligente individualizado, com o acompanhamento de educadores em atividades face a face, permitindo que o aluno desenvolva suas habilidades no seu ritmo e com alto desempenho”, diz. Essa metodologia, diz o executivo, é um diferencial para conquistar os alunos da geração Z, jovens que têm acesso a diversas formas de tecnologia, o que faz com que a dinâmica dentro de sala de aula mude.