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Com o objetivo de encontrar soluções para um sistema de saúde ético e transparente; de buscar formatos adequados para o modelo de remuneração do setor; de desenhar novas maneiras de pensar a atenção à saúde, tanto do ponto de vista de gestão e operação como da assistência, a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), realizou entre os dias 7 e 9 de novembro, a 6ª edição do Congresso Nacional de Hospitais Privados (Conahp), em São Paulo.

Com o tema “Eficiência: como o combate ao desperdício irá transformar o sistema de saúde”, o evento reuniu os principais executivos de hospitais privados no Brasil, que expuseram cases de sucesso em suas instituições, e com a presença de diversos especialistas internacionais que compartilharam experiências e debateram com os presentes os caminhos que podem ser seguidos para melhorar o segmento no Brasil. “Nos últimos anos, este tema se tornou uma das principais preocupações mundiais. E no setor saúde, um dos mais representativos em todas as economias no mundo, ganhou ainda mais notoriedade. A Anahp, imbuída pelo propósito de contribuir para a construção de uma saúde de excelência para o nosso país, percebeu a necessidade de lançar luz às iniciativas que visam a sustentabilidade do sistema de saúde”, pontuou Eduardo Amaro, presidente do conselho de administração da Anahp, na cerimônia de abertura. O evento contou com a presença de, aproximadamente, 2,5 mil participantes.

Entre as experiências internacionais apresentadas, Margareth Wilson, chief medical officer e senior vice president da United Healthcare Global discursou sobre o papel da medicina baseada em evidências, eliminando o desperdício clínico e melhorando os resultados. Robert Janett, professor da Harvard Medical School e executivo da Cambridge Health Alliance debateu sobre o uso excessivo e subutilização, indicando como a atenção primária integrada pode resolver o problema sobre os desperdício na saúde. Sobre governança, Parasha Patel, vice president global da Healthy Police, da Boston Scientific, abordou como os programas de pagamento baseado em valor podem e devem ser cada vez mais adotados pelas empresas do setor; enquanto Joe Flower, healthcare futurist, expôs sobre como não perder a cabeça com as questões do dia a dia.

Tecnologia

Manuel Grandal, gerente adjunto de assistência de cuidados hospitalares e coordenador do grupo de trabalho de telemedicina do Governo de Madri, expôs a implementação da tecnologia na Espanha, explicando como seu uso auxiliou na eliminação dos desperdícios na saúde. A experiência portuguesa também foi explorada. Óscar Gaspar, presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP), expôs as tendências e desafios do setor da saúde e do Serviço Nacional de Saúde (SNS) naquele país.

Já o vice-reitor de iniciativas globais e presidente da Universidade da Pensilvânia, Departamento de Ética Médica e Política da Saúde, Ezekiel Emanual, apresentou quais são as 12 práticas transformadoras de organizações médicas altamente eficazes. A contribuição da aplicação da Teoria das Restrições como forma de permitir avanços na qualidade, segurança, velocidade e acessibilidade na saúde foi apresentada por Alex Knight, global partner da Healthcare Goldratt Consulting.

O Conahp também ressaltou sua contribuição com o segmento no Brasil com a divulgação de várias publicações durante o encontro. Os presentes receberam um exemplar dos trabalhos: “Manual de efetividade e práticas contra o desperdício” e do “Manual de gerenciamento e assistência ao idoso”. O livro “Em busca do sistema de saúde perfeito”, escrito por Mark Britnell, também foi lançado durante o encontro.

Neste momento político e econômico difícil que o país tem vivido, Amaro também fez um apelo especial ao governo que se inicia. “Olhe a saúde com o cuidado que ela merece. É um bem precioso para a sociedade e um dos setores mais representativos da economia, que movimenta mais de 9% do PIB brasileiro e emprega mais de 2,3 milhões de pessoas no país”.