Publicado em

A evolução da tecnologia e a mudança de hábito dos consumidores criaram uma nova ordem no consumo, cujos reflexos são observados nas novas ferramentas disponibilizadas como opções de pagamento.

“É um mercado avançado e sofisticado em termos de segurança e isso é necessário em função do rápido crescimento da utilização de meios de pagamentos eletrônicos em substituição ao dinheiro”, avalia Jose Roberto Kracochansky, CEO Latam da WEX, empresa de soluções de pagamentos corporativos. Para ele, o pagamento sem a necessidade do cartão físico será o grande acelerador da troca do uso de dinheiro por meios eletrônicos.

“O sucesso dos diversos aplicativos que surgem diariamente visam facilitar a vida das pessoas não só na contratação de taxi, mas para serviços como manicure, eletricista, etc. Mas, eles dependem também da viabilização do pagamento destes serviços. Adicionalmente, a conveniência dos wearables e soluções de pagamentos embarcadas nos telefones celulares tornam a experiência do usuário extremamente satisfatória”, pondera o executivo.

Barreiras superadas

A falta de uma regulamentação específica para meios de pagamentos não foi fator inibidor para a criatividade, mas era uma barreira na adoção destas inovações pelo mercado. Segundo Kracochansky, a regulamentação de meios de pagamentos, iniciada em 2013, tem sido um importante arcabouço para os players do mercado sem prejudicar o surgimento diário de novas Fintechs, que trazem consigo novas abordagens e sistemas em termos de meio de pagamento e cobrança. “Apesar da existência da regulamentação não inibir a criação e atuação de novos players, uma operação de meios de pagamentos necessita de escala para se tornar viável e o crescimento do negócio demanda o atendimento à regulamentação vigente, podendo trazer uma complexidade ou nível de formalidade que inviabilizem a continuidade do mesmo antes da validação do modelo de negócio”, observa o CEO da WEX.

Algumas tecnologias de pagamento, contudo, prometem derrubar as barreiras da experiência do consumidor, adverte Jean Christian Mies (foto), presidente da Adyen para a América Latina, empresa global de pagamentos que permite que as empresas aceitem pagamentos de comércio eletrônico, celular e ponto de venda. Entre as tendências para o segmento, Mies indica o pagamento recorrente em débito sem autenticação.

No Brasil, não exigir autenticação para pagar era algo exclusivo para os assinantes com cartões de crédito, observa o executivo da Adyen. Para os de débito, por outro lado, era mandatório que transações online passassem por uma camada adicional de autenticação. Esta camada direciona o consumidor para a página do banco emissor, onde ele realiza uma autenticação para autorizar o pagamento. Isso é um impeditivo para empresas que querem cobrar seus clientes de maneira “invisível”, no débito.

Destaque para celulares

O crescimento das vendas pelos canais mobile abre novo leque de oportunidade para lojistas e meios de pagamento. Atualmente, 52% das compras online são feitas em dispositivos móveis. “Por isso, muitos varejistas online estão olhando esta oportunidade para alavancar suas lojas in-app”, comenta Mies. “Realizar o pagamento em uma plataforma acessível e intuitiva, sem desviar a experiência, é o principal atrativo desse tipo de compras. Algo que a 99 e o iFood, já oferecem aos seus usuários. Quem facilitar a vida do cliente adquirir, certamente sairá na frente dos concorrentes na corrida para fidelizar mais consumidores”, complementa.

Carteiras digitais

Cartões de crédito, débito e boleto já não são as únicas formas de pagar por compras no Brasil. Empresas de pagamento e gigantes de tecnologia estão trazendo suas carteiras digitais ao país, ampliando a experiência entre usuários e provedores de serviços/produtos. Um exemplo é o GooglePay, lançado globalmente pelo Google, em parceria com a Adyen, primeira empresa a processar os pagamentos via o novo serviço.

O GooglePay permite que consumidores realizem compras em um toque em dispositivos móveis que operem com Android ou em navegadores Chrome. O cliente não precisa de re-inserir informações de pagamento ou endereço de entrega, pois estas já estão armazenadas em um perfil digital do usuário no sistema do Google. Atualmente, já se integraram ao sistema empresas como iFood, Hotel Urbano e Peixe Urbano.