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Apesar de o dinheiro vivo ainda ser a forma mais comum de recebimento no comércio brasileiro, segundo pesquisa do Banco Central do Brasil divulgada no início do segundo semestre deste ano, o avanço do uso do cartão – seja ele débito, crédito ou pré-pago – também é relevante na economia doméstica.

O dinheiro é a opção favorita para 52% da população. Apesar disso, já é possível observar um recuso neste método do pagamento: em 2013, esta categoria representava 57% das transações. A mudança do cenário fica mais perceptiva quando a pesquisa aponta que cerca de 4% da população já não usa mais dinheiro vivo na hora de fazer compras ou pagar contas. É neste cenário que os pagamentos com cartões ganham espaço na preferência e no bolso de muitos brasileiros.

Fato é que fazer pagamentos usando cartões é uma realidade cada vez mais presente em todo o mundo. A mecânica de inserir o cartão na maquininha, digitar uma senha e alguns segundos depois concluir uma compra é um movimento diário tão comum que se tornou um hábito na vida de milhões de pessoas.

O cartão pré-pago é uma das opção que vem crescendo no Brasil por vários motivos. Segundo dados da ABECS (Associação das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), a modalidade deu um salto de 63% no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2017.

“Isso acontece porque os custos e taxas de manutenção de cartões de crédito estão muito altos e, para muitos brasileiros, são impraticáveis. E, por outro lado, os cartões de débito demandam uma conta em um banco e, hoje, no Brasil, existem cerca de 55 milhões de pessoas sem acesso a instituições financeiras. Ou seja, as opções existentes não atendiam a todos, e uma grande fatia da população, principalmente pessoas endividadas ou sem credit score, não conseguiam ter acesso às facilidades de pagamento por cartão, e ficavam fadadas a usar somente dinheiro”, comenta Renato Camargo, CMO da RecargaPay, uma carteira de pagamento e serviços financeiros pelo celular que, em 2018, tornou-se uma das maiores finteches brasileira em número de downloads, ultrapassando os 10 milhões no Google Play.

Como o cartão pré-pago não exige comprovação de renda e nem conta bancária, ele acabou virando uma opção preferida, pontua Camargo. “Nesse ponto, o cartão pré-pago, seja na versão física ou na versão virtual, vale a pena para o bolso do consumidor e ainda serve como um instrumento de empoderamento e acesso social para essa parte da população brasileira, que agora pode usá-lo para fazer transações do dia a dia”, complementa o executivo.

Segundo levantamento da Abecs, os brasileiros movimentaram R$ 720 bilhões em compras com cartões no primeiro semestre de 2018, crescimento de 13,6% na comparação como os seis primeiros meses de 2017.Ainda neste período, os cartões de crédito registraram R$ 450 bilhões (alta de 14%), os cartões de débito, R$ 265,4 bilhões (avanço de 12,3%), e os cartões pré-pagos, R$ 4,6 bilhões (crescimento de 62,3%).