Renegociar dívidas com instituições exige pesquisa

Ao iniciar o diálogo com o banco, o devedor deve já ter feito um diagnóstico de sua situação financeira e ter pesquisado as menores taxas no mercado

São Paulo – A queda no rendimento do trabalhador e o aumento do desemprego levam os brasileiros a tentarem renegociar, não só serviços, como também dívidas. Mas, para especialistas, o fundamental, neste momento, é já apresentar uma proposta pronta para os bancos. Diante da queda da atividade econômica no País, o desemprego chegou aos piores patamares desde 2012, com 11,2% no trimestre até maio deste ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda de acordo com estudo da Boa Vista Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), no primeiro semestre de 2016 a inadimplência do consumidor registrou alta de 2,8%.Ao mesmo tempo, o rendimento médio real habitualmente dos trabalhadores caiu 2,7% entre março e maio. Com dívidas em atraso, muitas famílias precisam renegociá-las e o primeiro passo é se reorganizar, ou seja, fazer um diagnóstico financeiro cortando todos os gastos possíveis antes de contatar o credor. Para isso, a família deve calcular o valor das dívidas, priorizando sempre as contas que cobram juros mais altos – como cartão de crédito (470% ao ano) e o cheque especial (311% ao ano) – e as contas essenciais que podem ocasionar corte de serviços, como água, luz, telefone e escola.Após essa reorganização, será então determinada a parcela da renda destinada ao pagamento da renegociação. E, ainda antes de procurar o credor, é necessário pesquisar as taxas de juros de operações de crédito dos bancos, o que pode ser feito por meio de um ranking no site do Banco Central (BC). Com essa pesquisa e o diagnóstico financeira, a pessoa deve contatar o credor com uma proposta já definida. \”Os clientes têm receio de procurar o credor, mas especialmente, neste momento de alta inadimplência, as instituições estão mais abertas para a renegociação porque para elas, também é vantajoso receber o dinheiro\”, explicou Marcela Kawauti, economista-chefe do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) ao DCI. Para os desempregados, Reinaldo Domingos orientou não adquirir outra dívida para quitar as contas, pois sem renda garantida, não será possível pagar a nova parcela e descartou a utilização de uma reserva financeira para este fim.Modalidades de créditoQuestionado sobre os tipos de créditos oferecidos pelas instituições financeiras, o professor de finanças da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), Valdir Domeneghetti, indicou como primeira opção o empréstimo consignado – que apresenta as melhores taxas – e, em seguida, está o empréstimo pessoal. Já a modalidade Empréstimo para Negativados deve ser descartada pelos juros altos. Ele ainda afirmou que se o cliente for vinculado a um banco, é possível fazer uma portabilidade de crédito, migrando a dívida para outra instituição com melhores condições. Já Marcos Crivelaro, professor de finanças da Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap) sugeriu também que o cliente pode oferecer uma garantia ao banco, como um veículo.

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