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A oportunidade de inclusão financeira no Brasil se torna real – especialmente para o trabalhador de baixa renda. É o caminho para que esse público conte com serviços que ele ainda não tinha acesso, por meio da popularização dos meios eletrônicos de pagamento – movimento em curso pelo Banco Central na tentativa de reduzir a circulação de dinheiro em espécie ao longo dos próximos anos.

Esse cenário tornou-se mais próximo de se concretizar desde o primeiro dia de julho deste ano, quando entrou em vigor a Resolução 3.402, do Conselho Monetário Nacional (CMN). Agora, fica possível que os trabalhadores transfiram o pagamento feito em uma conta salário para uma conta de instituição não bancária, habitualmente denominadas de contas de pagamento. Assim, a medida possibilita a portabilidade dos vencimentos do trabalhador para que ele possa transferi-lo no mesmo dia, de forma automática e gratuita.

Isso significa liberdade de escolher por qual meio deseja receber seu salário, sendo que o pedido poderá ser feito diretamente na instituição financeira de destino. Também, representa o acesso a uma série de serviços financeiros sem a necessidade de pagar as tarifas de manutenção de conta corrente. E, quando comparada às contas salários, as contas de pagamento possibilitam a realização de diversas atividades tais como saque, pagamentos, compras e transferências, além de recebimentos que não apenas dos empregadores.

Algo importante de ser ressaltado é que a resolução favorece principalmente o público de menor renda, uma vez que disponibiliza crédito. Um levantamento do Data Popular sinaliza que, com acesso restrito aos bancos, as formas de pagamento utilizadas por esse público no país são boleto bancário, pagamento online e cartão pré-pago. Se considerarmos somente essa última modalidade, no primeiro trimestre deste ano houve aumento de 63% nas transações, conforme revelou a Associação Brasileira das Empresas de Cartões e Serviços (Abecs).

A portabilidade populariza o pagamento com cartão e beneficia o trabalhador. E a inclusão financeira traz consigo o protagonismo que vem ganhando instituições não bancárias e as fintechs – passando a ser alternativas. E quem ganha com essa gama de provedores de serviços financeiros? O cidadão, claro.

José Roberto Kracochansky é CEO da Wex na América Latina

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