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O petróleo voltou a subir na quarta-feira e colocou fim a uma sequência de 12 quedas consecutivas dos preços do barril no mercado futuro, trazendo alívio aos mercados internacionais de moedas. O dólar à vista encerrou em queda de 1,13%, a R$ 3,7837.

O câmbio foi influenciado principalmente pelo mercado externo, com a moeda americana caindo perante divisas de países como México, Rússia e África do Sul.

Operadores relatam que a moeda acima dos R$ 3,80 logo na abertura de quarta-feira desencadeou ordens de venda por tesourarias e exportadores e ainda desmontes de algumas posições compradas no mercado futuro. Esse movimento levou a moeda a bater a mínima do dia, a R$ 3,76. Além disso, a antecipação de operações no mercado por conta dos feriados aqui que começam nesta quinta-feira (15) foi um dos fatores que contribuíram para o elevado volume de negócios. No mercado futuro, o giro financeiro somou US$ 24,8 bilhões. No segmento à vista, ficou em US$ 1,4 bilhão.

No mercado doméstico, as mesas de câmbio seguiram monitorando a transição de governo, mas, na falta de maiores novidades, não houve impacto nos preços.

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) esteve em Brasília nesta quarta-feira. Ele se reuniu com governadores eleitos e com o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Em entrevista, ele disse que não pretende interferir na eleição para o comando da casa e afirmou que estão surgindo outros “bons nomes”. Já o DEM vai condicionar a adesão ao governo de Bolsonaro ao apoio do Palácio do Planalto à recondução de Maia à presidência da Câmara ou ao menos à neutralidade da equipe do PSL nessa disputa.

Para a diretora de câmbio da AGK Corretora, Miriam Tavares, o dólar deve ficar no patamar entre R$ 3,70 a R$ 3,85 até o final do ano. Ela acredita que a moeda pode até cair abaixo de R$ 3,70, mas o movimento tende a não se sustentar. “Ainda há grande imprevisibilidade sobre como será o governo no ano que vem”, disse ela, ressaltando que uma coisa é a promessa de reformas e outra é como executar essa agenda.

Ibovespa em alta

O Índice Bovespa terminou a quarta-feira aos 85.973,06 pontos, na máxima do pregão, com ganho de 1,25%. Os negócios somaram R$ 16,6 bilhões. Ao longo do pregão, o índice alternou altas e baixas moderadas.

De um lado, os papéis de mineração e siderurgia tiveram desempenho majoritariamente negativo. De outro, as ações da Petrobras fizeram contraponto e foram destaque de alta, ao lado dos setores de varejo, consumo e imobiliário.

No caso das varejistas, analistas voltaram a mencionar expectativa mais otimista para o setor, diante de resultados recentes e da percepção de melhora da economia em 2019. Os bancos tiveram volatilidade e terminaram em alta.

O noticiário político ofereceu poucas novidades com potencial para influenciar os negócios. A principal delas foi a decisão do presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB), de pautar com urgência a proposta de revisão do acordo da cessão onerosa na próxima terça-feira (20). A notícia deu fôlego extra às ações da Petrobras, que já perdiam forças diante do enfraquecimento dos preços do petróleo nas bolsas de Nova York (WTI) e Londres (Brent). Petrobras PN e ON terminaram com altas de 3,55% e 1,84%, respectivamente. /Estadão Conteúdo