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Depois da valorização recente das ações e da queda do dólar nos últimos dias, uma nova composição das carteiras exigirá “muita cautela” dos investidores de longo prazo nas próximas duas semanas.

Segundo especialistas em investimentos consultados pelo DCI, o momento é de manter seguro na renda fixa e, ao mesmo tempo, avaliar empresas com bons fundamentos, geradoras de caixa ou de dividendos e com papéis pouco valorizados.

“Quem comprou ações, não deve vender, deve esperar pois terá mais valorização. E quem não comprou, não deve comprar agora, vai ter uma janela de entrada nas próximas semanas, embora com preço mais alto, mas com previsibilidade maior”, argumentou o diretor de investimentos do Paraná Banco, André Malucelli.

O executivo avaliou que as perspectivas para investimentos de longo prazo melhoraram “muito” com o resultado do primeiro turno das eleições. “O investidor deve conhecer seu perfil, e montar uma carteira com empresas sólidas e com bons fundamentos, mas também com um posicionamento na liquidez de CDBs [certificados de depósito bancário] e fundos de renda fixa”, exemplificou.

Questionado sobre as diferentes composições de carteiras, Malucelli respondeu que para o investidor conservador, uma carteira com 80% em renda fixa e 20% em renda variável (ações) é recomendável. “Para o investidor de perfil mais arrojado, 60% em renda fixa e 40% em renda variável”, diz o diretor do Paraná Banco.

Para quem possui renda fixa, o CEO da WM Manhattan, Pedro Henrique Rabelo, também lembra que os juros de longo prazo devem cair com uma eventual confirmação da vitória de Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno das eleições. “As curvas de juros para 2021 e 2023 já deixam de ficar atrativas, com o mercado precificando um fluxo relevante de investimentos”, apontou.

Nesse possível cenário, Rabelo sugere posições em pós-fixados (Tesouro Selic, CDB DI, fundos DI) e ações de empresas ligadas ao consumo interno. “A criação de novos empregos e aportes em projetos de empresas deve fomentar o consumo interno”, justifica.

Segundo o gestor-chefe da Garín Investimentos, Ivan Kraiser, que atua com fundos de ações e multimercados, a expectativa tornou-se otimista para renda variável. “Estamos vendo uma virada boa com forte privatização. No novo Congresso, os partidos de esquerda e extrema esquerda não conseguem barrar as reformas”, destaca o gestor.

Investimento externo

Nesse clima otimista, o fundador da Vision Brazil Investments, Amaury Fonseca Júnior, também percebe uma movimentação “grande” de investidores institucionais estrangeiros pelo Brasil. “Definindo o segundo turno e se não houver nenhuma sinalização de mudança em marcos regulatórios (segurança jurídica), vai ter um fluxo muito grande de recursos para projetos de infraestrutura e energia no País”, espera Amaury.

Quanto à diversificação das carteiras, o especialista em investimentos da Suno Research, Alberto Amparo, menciona a opção do investidor local fazer investimentos no exterior em BDRs e ações americanas. “O fluxo está indo para os EUA.”