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São Paulo - A atuação em nichos específicos de mercado deve garantir aos bancos de médio porte uma passagem confortável pela desaceleração econômica prevista para 2015. No caso do ABC Brasil, o foco serão as médias e grandes companhias.

Balanço de resultados divulgado ontem pelo banco mostra que sua carteira de empréstimos aumentou em 15,7% de 2013 para 2014, encerrando o ano passado com estoque de R$ 20,57 bilhões. O segmento corporate (firmas com faturamento de mais de R$ 500 milhões), responsável por 87% dos financiamentos do ABC Brasil, fechou com saldo de R$ 16,60 bilhões.

Segundo Alexandre Sinzato, superintendente de Relações com Investidores da instituição, a desaceleração da economia - e, consequentemente, do crédito - deve impactar mais fortemente a carteira dos grandes bancos, que detêm a maior fatia dos empréstimos feitos a empresas.

Sinzato disse que, embora no segmento pessoas jurídicas os maiores concorrentes do ABC Brasil sejam os gigantes do setor financeiro, a instituição também atua de forma complementar eles e vê espaço para ganhar mais participação de mercado junto ao nicho de médias e grandes companhias em 2015.

"Eu acredito que a gente tem funding e liquidez adequados para lidar com esse nicho de mercado", afirmou.

De acordo com ele, os bancos médios que mais sentirão os impactos do momento econômico serão aqueles que trabalham com o nicho de consumidores. "Nesse caso, não há crédito complementar, como quando se trabalha com empresas. O cliente escolhe um só banco para ter conta e pronto. Para esses bancos o desafio vai ser maior", avaliou.

Sinzato disse ainda que o ABC Brasil está constantemente monitorando e revisando os créditos da instituição, e trabalhando com políticas austeras de aprovação de empréstimos, para prevenir os possíveis impactos das crises hídrica e energética.

"A gente analisa como o cliente está se preparando, ou já se preparou, para possíveis racionamentos. Isso impacta na análise de crédito", ressaltou. Segundo ele, as crises foram incluídas nos guidances [metas] do banco, que prevê crescimento entre 8% e 12% para o crédito em 2015.

As investigações da Operação Lava Jato devem ter pouco impacto nas contas do ABC Brasil, afirma Sinzato. "A exposição é muito pequena, não nos preocupa", disse.

Investimentos

Além de registrar uma expansão na margem financeira (receita com crédito) de 17,9%, alcançando faturamento de R$ 647,4 milhões com empréstimos em 2014, o ABC Brasil também conseguiu aumentar em 12,8% a receita com prestação de serviços no ano - faturamento de R$ 177 milhões.

O destaque ficou para a alta dos ganhos com mercado de capitais e fusões e aquisições (M&A), que anotaram um aumento de 40,1%, fechando o ano em R$ 20,3 milhões.

"Este ano estará cheio de dificuldades, e a consolidação [fusão ou aquisição] pode ser uma alternativa interessante para empresas médias que buscam meios para enfrentar cenário econômico ou empresas grandes que buscam crescimento não apenas orgânico, por exemplo", observou o executivo do banco.

Lucro

O lucro do ABC Brasil saltou para R$ 316,8 milhões em 2014, alta de 22,6% em relação a 2013. A inadimplência teve alta de 0,4 pontos, fechando em 0,6%, impulsionada pela alta no segmento corporate, que saltou de 0% para 0,6%.

Segundo Sinzato, o aumento foi reflexo, em sua maior parte, de uma empresa específica, que já vinha recebendo reforços de provisionamentos. As despesas tiveram alta de 8,9%.