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SÃO PAULO - A UHY Moreira Auditores aposta principalmente nas empresas estatais para ganhar mercado no Brasil. A empresa de auditoria já tem em sua carteira a Petrobras e a Telebrás. Sobre esta última, a empresa já vê como certa a reativação da estatal de telefonia. "Além do investidor privado, que oficialmente idealizou a atuação da Telebrás na ampliação ao acesso a banda larga, a empresa tem um passivo muito grande. Muitos funcionários não aderiram à demissão voluntária na época da privatização, e ainda estão ligadas à companhia", conta Paulo Moreira, diretor superintendente da UHY Moreira.

Em relação à Petrobras, a UHY Moreira afirma que o setor petrolífero já responde por boa parte do seu faturamento. "As empresas deste setor representam 30% do nosso faturamento. E com o pré-sal, vemos um grande potencial de crescimento dos nossos negócios com essas empresas."

Com a Petrobras, a empresa de auditoria tem contrato para analisar contratos fechados com seus fornecedores. "Até agora, não encontramos nenhum tipo de problema legal no fechamento destes contratos", conta Marcos Gergolin, gerente de Negócios da UHY Moreira.

A empresa é o resultado de uma fusão feita em 2008 entre a UHY International, uma rede internacional de escritórios independentes de auditoria, e a Moreira & Associados Auditores. Atualmente, a UHY Moreira tem cerca de 250 clientes ativos, e está entre as 20 maiores empresas do setor no Brasil e entre as 15 maiores do mundo. No ano passado, a empresa faturou R$ 8 milhões, dos quais 30% foram originados no setor público, e os outros 70%, no setor privado.

Além do petrolífero, outro setor em que a UHY tem forte atuação é o de seguros e previdência. Mas eles afirmam que o setor financeiro ainda procura prioritariamente as empresas de auditoria mais conhecidas. "São empresas mais conhecidas, mas na maioria das vezes conseguimos oferecer a mesma estrutura com preços menores. Mesmo assim, ainda há preferência pelos chamados big four", explica Moreira, referindo-se ao grupo formado por Ernst & Young, Deloitte, PriceWaterhouseCoopers e KPMG.

Um exemplo citado pelo diretor da UHY foi o Banrisul. "Eles fizeram uma licitação para contratar uma empresa para auditar os balanços. Mas os requisitos pedidos só poderiam ser atendidos por uma dessas quatro. Isso não quer dizer necessariamente que o processo foi desonesto, de repente essa é uma demanda dos acionistas, mas, por ser um banco de economia mista, o Banrisul precisa fazer uma licitação mais direcionada para aquilo que quer."

Regulamentação

Os representantes da UHY Moreira chamam também a atenção para a lei que regula a atuação de empresas de auditoria no Brasil. "Hoje é praticamente impossível uma empresa de auditoria no Brasil abrir capital. A legislação brasileira exige que o dono de uma empresa seja contador, o que dificulta a busca por sócios no mercado. Se houvesse possibilidade de abrir capital, aumentaria até mesmo a transparência na atuação das empresas", afirma Paulo Moreira.

Outro ponto que incomoda quem atua neste setor é a obrigação de comprometer bens pessoais em caso de problemas enfrentados pela empresa. "Essa regra cria situações em que até mesmo os funcionários assumem a empresa depois da morte do dono, se ele não tiver herdeiros contadores. Este ponto da regulamentação deveria ser revisto. O mercado sabe diferenciar uma empresa confiável de uma duvidosa", ressalta Moreira.

Quanto à regulação do mercado de um modo geral, os representantes da UHY Moreira acham que há um excesso de regras no Brasil. "A regulamentação no Brasil é muito engessada. Acredito que o mercado brasileiro ainda não está pronto para uma autorregulação pura e simples em todos os setores, mas é preciso chegar a um meio-termo, a uma regulamentação que permita a empresa a exercer sua criatividade", afirma Gregolin.

Paulo Moreira afirma que as coisas melhoraram bastante. "No final da década de 70, o governo ditava os ramos de atuação das seguradoras e quais os valores de depreciação de cada bem segurado. Era uma coisa absurda. Hoje, apesar de ainda termos uma regulamentação dura demais, já estamos mais perto do nível de regulamentação ideal. Mas ainda há um longo caminho a percorrer até esse patamar."