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SÃO PAULO - O Banco do Brasil irá pagar R$ 685 milhões em ações pelo Besc (Banco do Estado de Santa Catarina) e pela Bescri S.A. (Crédito Imobiliário), caso a incorporação das instituições seja aprovada na assembléia convocada para o dia 30 de setembro. Por meio de nota, o BB informou ter proposto pagar aos acionistas das duas instituições R$ 411 milhões e R$ 274 milhões, respectivamente. "O valor de R$ 685 milhões foi estabelecido a partir dos valores econômicos apurados pela metodologia do fluxo de caixa descontado, constante dos laudos de avaliação econômico-financeira", informou fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O vice-presidente de Finanças do Banco do Brasil, Aldo Luís Mendes, disse na sexta-feira que a incorporação do Besc deve gerar um ganho de sinergia ao BB da ordem de R$ 1 bilhão em cerca de 10 anos. Ele destacou que, de imediato, a operação já traz uma economia de custo de R$ 139 milhões - valor este que já está incluído no cálculo do valor do Besc considerado para a incorporação.

Segundo Mendes, o BB pretende levar o índice de eficiência (relação entre despesas administrativas e receitas operacionais) do Besc - que hoje está em 73,1% - para o padrão do BB, que é de 46,9% e cuja meta é chegar a 45% neste ano. O BB calcula que essa transição ocorrerá no prazo de cinco anos.

Mendes lembrou que a idéia é manter no mínimo uma agência por município do Estado de Santa Catarina. Existe também uma pequena sobreposição de clientes, de 22%, o que, segundo Mendes, gera um potencial de negócios bastante elevado com a clientela que será incorporada, especialmente com micro e pequenas empresas. Outro ponto em que pode haver ganhos é a questão de pessoal - o que não implica, necessariamente, demissões.

O executivo disse também que a incorporação do Banco do Estado do Piauí (BEP) deve ser finalizada até o fim do ano. De acordo com ele, o modelo da operação será muito semelhante ao do Besc, que também é uma instituição federalizada. Mendes afirmou que o processo de avaliação do BEP está em andamento. Já nos casos de Nossa Caixa e Banco Regional de Brasília (BRB), cuja incorporação está sendo negociada pelo BB com os governos controladores (de São Paulo e do Distrito Federal), o modelo é um pouco diferente. "Estamos em um processo muito forte de negociação na Nossa Caixa", disse Mendes.

Com relação ao BRB, Mendes destacou que o processo está mais atrasado porque a avaliação da instituição do Distrito Federal ainda não está concluída. Para finalizar, Mendes disse que a instituição deve pagar cerca de R$ 250 milhões ao governo de Santa Catarina pela folha de pagamentos do Besc.