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O Bradesco e o Itaú pretendem conceder empréstimos consignados para trabalhadores da iniciativa privada com o bloqueio de até 10% do saldo da conta do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), uma forma de prevenção aos calotes em casos de demissão.

Em nota de resposta ao DCI, o Bradesco informou que “pretende oferecer o consignado com garantia de FGTS e está finalizando os detalhes com a Caixa Econômica Federal”, respondeu.

E também em resposta, o Itaú Unibanco disse que “está avaliando as adequações necessárias em seus sistemas para oferecer o produto, uma vez que há necessidades adicionais para a comercialização da linha”, informou.

Ambos os bancos privados estão conversando com a Caixa Econômica Federal, que é operador oficial dos recursos do fundo de garantia.

Segundo o banco público, a Caixa no papel de agente operador do Fundo de Garantia, disponibilizou, em 2016, o modelo operacional de garantia do empréstimo consignado com parte do saldo da conta vinculada do FGTS, no qual a segregação da garantia é efetivada quando da comunicação pelo empregador do afastamento do titular de conta no FGTS.

“De acordo com o novo modelo implantado neste mês de agosto pela Caixa, a reserva de parte do saldo da conta vinculada do trabalhador, até o limite previsto na lei, é feita logo no início da operação de crédito e perdura até a liberação da garantia, a exemplo de liquidação da dívida, ou a execução da garantia, nos casos em que o trabalhador seja demitido sem justa causa, por culpa recíproca ou força maior, situação em que a garantia será acionada pela instituição financeira concessora do empréstimo consignado”, explicou o banco estatal.

Em outras palavras, as instituições privadas nacionais vão contar com a operação da Caixa para bloquear as garantias do empréstimo consignado vinculado a conta do FGTS do trabalhador. Segundo as regras do Conselho Curador do fundo de garantia, os empréstimos consignados terão taxa máxima de juros de 3,5% ao mês (51% ao ano) e prazo máximo de 36 meses (3 anos).

Antes das instituições privadas nacionais, a própria Caixa e o Banco do Brasil (BB) já haviam anunciado que devem atuar nesse segmento.

Ontem, em nota, o BB disse que “avalia as regras e os ajustes operacionais necessários, especialmente, junto à CEF, operadora do FGTS”, relatou.

O BB também informou que continua a oferecer o crédito consignado tradicional privado aos clientes, tendo por base os convênios estabelecidos com os empregadores. “No período entre 14 e 20 de agosto, a taxa média contratada no banco foi de 2,32% ao mês, uma das mais atrativas entre os grandes bancos de varejo, de acordo com relatório do Banco Central”, respondeu o BB.

Já o Santander já oferece a modalidade de consignado com vinculação ao FGTS desde meados do ano passado dentro de um projeto piloto.

Crescimento do segmento

O diretor executivo de pesquisas econômicas da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, também apontou o interesse dos bancos em conceder financiamentos com garantia, pois reduz o risco de inadimplência.

“O segmento está crescendo forte e deve crescer ainda mais com a nova modalidade de consignado do FGTS, pois é uma operação segura com a garantia do desconto nos salários”, explicou o diretor.

De fato, segundo os dados do Banco Central, as concessões de empréstimos consignados tiveram crescimento de 25,8% nos últimos 12 meses, para um volume de R$ 16,39 bilhões em julho passado.

Na modalidade voltada para servidores públicos, o volume concedido em julho alcançou R$ 8,587 bilhões, com crescimento de 27,6% em 12 meses. Já na linha voltada para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), a concessão atingiu R$ 6,646 bilhões em julho de 2018, marcando elevação de 23,8% em 12 meses, pelos dados do BC.

Em menor volume, a concessão para trabalhadores privados com desconto na folha de salários ficou em R$ 1,157 bilhão em julho passado. Mas ainda assim registra uma alta de 23,2% em 12 meses.

Miguel de Oliveira explicou que a modalidade voltada para trabalhadores privados com o desconto em folha de pagamento possui taxas de juros mais elevadas na comparação com as linhas para funcionários públicos e beneficiários do INSS. “Não tem competição entre os bancos pelo trabalhador privado, pois o empréstimo é pelo banco que ele [funcionário] recebe o salário. Mas são as taxas mais vantajosas que o crédito pessoal”, ponderou Miguel de Oliveira.

Pelos dados do BC, enquanto o crédito pessoal tem juros de 118,5% ao ano; as taxas de juros em consignados para servidores públicos estão em 23,1%; de beneficiários do INSS em 25,5%; e para trabalhadores privados em 39,1%.