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O Banco Central (BC) projeta que o crédito voltado para as empresas reduzirá em 2018 ao mesmo tempo em que apontou que a inadimplência é o principal componente do spread bancário. Os dados são do Relatório de Economia Bancária divulgado ontem.

O saldo de crédito das pessoas jurídicas deve registrar recuo de 2% no ano, enquanto que para as pessoas físicas deve aumentar 7%.

Assim, a projeção de crescimento da carteira total de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) foi reduzida a 3 % em 2018. Em março, o Banco Central (BC) projetou que o estoque total cresceria 3,5% neste ano.

Segundo o assessor econômico da Boanerges & Cia Consultoria, Vitor França, a projeção de crescimento da carteira foi afetada pelo cenário econômico do País. “O mercado estava mais otimista em março, no começo do ano. Agora todos estão revisando suas projeções devido à uma recuperação aquém do esperado”, comenta.

Ainda segundo ele, a queda registrada nas operações de crédito para empresas ocorreu também por causa da perda de força do segmento de crédito direcionado. “Por conta de ajustes das contas públicas realizados pelo governo as linhas de crédito direcionado, os empréstimos fornecidos pelo Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), para pessoas jurídicas se retraíram bastante”, explicou ao DCI.

Para o professor de Economia do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec/SP), Walter Franco, o BNDES deveria adotar um papel mais forte em relação à disponibilização de crédito neste ano. “Na crise, esperaria-se uma participação maior do BNDES, o que o relatório mostrou que não aconteceu. A instituição teria, então, um papel muito importante na busca de retomada econômica e poderia atuar com um pouco mais de força nesse ano”, diz.

Inadimplência

O BC apontou ainda que o Custo de Captação foi o principal componente do custo do crédito no Brasil entre 2015 e 2017. Porém, excluindo-se o item, chega-se ao spread do custo do crédito, cujo principal componente é a Inadimplência, com contribuição média de 37,4% de 2015 a 2017.

“O principal componente da inadimplência é o risco, fazendo com que os bancos cobrem taxas mais altas para compensá-lo. Só que as taxas altas afastam bons pagadores e atraem pessoas de mais risco, que são aquelas que mais precisam do crédito. Esse é um problema estrutural do mercado brasileiro”, diz Vitor França.