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Depois de uma sequência de altas que se estendeu por quatro pregões, o Índice Bovespa cedeu a um movimento de realização de lucros na sessão de ontem e fechou em baixa de 1,04%, aos 88.668,92 pontos.

A queda foi mais brusca pela manhã, quando os investidores repercutiam ruídos do cenário político doméstico e exibiam cautela ante o cenário internacional, onde o principal evento do dia foi a eleição parlamentar nos Estados Unidos. Os negócios somaram R$ 14,5 bilhões.

No cenário político doméstico, geraram algum desconforto as informações desencontradas entre o presidente eleito Jair Bolsonaro e seu futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, acerca da reforma da Previdência. Mas a aparente falta de coesão na equipe do governo eleito foi relativizada, dada a fase ainda inicial das negociações em torno do assunto. A percepção corrente ainda é de que a lua-de-mel com o governo deve perdurar por mais tempo.

“O mercado tende a manter o otimismo com o novo governo, mas há duas leituras possíveis sobre a capacidade de o Ibovespa seguir rumo aos 100 mil pontos até dezembro. Uma delas é de que a eleição do novo governo ainda não foi totalmente precificada e seguirá alimentando as ordens de compra. A outra considera que a precificação está totalmente concluída e que o mercado começará a exigir sinalizações mais concretas para levar o índice adiante”, disse um gerente de mesa de ações.

Na análise por ações no dia, o destaque ficou por conta das ações da Petrobras, que caíram 2,58% (ON) e 3,44% (PN).

Além do balanço trimestral aquém do esperado, os papéis foram penalizados pela queda dos preços do petróleo no mercado internacional, em meio à elevação das previsões de produção da commodity nos Estados Unidos.

A maior queda do Ibovespa, no entanto, ficou com Magazine Luiza ON, que perdeu 8,36%, em movimento de realização de lucros após a companhia ter divulgado balanço trimestral dentro das expectativas dos analistas.

Mercado cambial

Com um ambiente externo de cautela, impactado pelas eleições parlamentares nos Estados Unidos e o mercado doméstico respondendo de forma sensível a ruídos nas sinalizações do governo eleito sobre a reforma da Previdência, o dólar operou alternando entre altas mais significativas e amenas. Após ter tocado os R$ 3,7699 na máxima intraday, a divisa fechou cotada a R$ 3,7597, alta de 0,92%

Para o operador da corretora Hcommcor, Cleber Alessie Machado, a postura mais cautelosa do mercado externo explicita uma briga entre compradores e vendedores, o que alimenta a volatilidade. “A conjuntura externa leva investidores que estão muito expostos a enxugarem posições e quem está menos exposto aproveita para comprar, o que afeta dólar e bolsa”, diz.

Internamente, o mercado opera sensível às sinalizações do presidente eleito. Lá fora, o principal impacto vem das eleições de meio de mandato para o parlamento americano.

Os juros futuros fecharam a sessão de ontem em alta. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para 2020 subiu de 7,133% para 7,15% e o DI para janeiro de 2021, de 8,083% para 8,11%.

Já a taxa do DI para janeiro de 2023 encerrou em 9,27%, de 9,213% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2025, por fim, fechou em 9,82%, de 9,742%. /Estadão Conteúdo